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domingo, 5 de agosto de 2012

Os Vingadores: Crítica de fã para fã


No mundo do cinema é muito difícil encontrar Blockbusters que realmente tenham algo a mais para impressionar o público. Chegamos a um ponto da indústria cinematográfica em que os grandes filmes de ação e aventura não mais surpreendem o expectador, apelando cada vez mais para cenas e efeitos cada vez mais grandiosos, como uma grande competição para quem consegue fazer o filme mais artificial e caro do ano. O resultado de tamanha ânsia por lucros e números são filmes cada vez mais esperados, porém cada vez mais decepcionantes, com histórias mal contadas, roteiros execráveis e cenas de ação que não passam de cópias do que já foi feito anteriormente em filmes semelhantes. Porém, como tudo na vida, sempre há um ciclo, e de vez em quando, alguém consegue acertar na fórmula e finalmente surpreender quem estava cansado de se decepcionar. E Os Vingadores faz mais do que surpreender. Os Vingadores faz algo que só pode ser descrito com muito entusiasmo e animação. Portanto saibam desde já que Os Vingadores é sensacional!

Nunca fui leitor de quadrinhos, não por não gostar, mas por preguiça e por falta de incentivo durante a infância. Porém, como o bom nerd que me considero, adoro todos os universos e heróis presentes em suas páginas. Lembro quando Homem de Ferro chegou aos cinemas e Nick Furry apareceu no final do filme convidando Tony Stark para se juntar a um projeto. Depois O Incrível Hulk chegou às telonas e, para a minha surpresa, Stark apareceu no final do filme, falando sobre o mesmo projeto. A cena acabou e eu fiquei meio besta, sem entender se aquilo era uma piada ou coisa parecida. Mas não era. Aquilo era só o começo da jornada que nos traria até hoje, até o dia em que Os Vingadores se uniriam para tentar salvar a Terra de uma força maior. Meu maior medo quando anunciaram o projeto era que ele fosse feito da forma errada. Que os heróis não fossem muito bem explorados, que a história se resumisse apenas à pancadaria e cenas exageradas de lutas entre vilões e mocinhos. Mas felizmente, apesar de a jornada individual de cada vingador ter passado por altos e baixos, chegamos ao ápice dessa história, e ele não poderia ser mais épico.

A história do filme se desenrola a partir das consequências dos acontecimentos dos filmes individuais de cada herói (principalmente Thor e Capitão América), onde vemos Loki (irmão de Thor) vir à Terra em busca do Cubo Cósmico e com a intenção de iniciar uma guerra contra os humanos e, ao vencê-la, dominar o planeta. Nick Furry então vê a necessidade de convocar uma equipe de pessoas extraordinárias para recuperar o Cubo e impedir que Loki realize seus planos. É quando entra em cena a Viúva Negra, Gavião Arqueiro, Capitão América, Hulk, Homem de Ferro e Thor. Munidos de tantos protagonistas e figuras poderosas, seria muito fácil para os roteiristas e diretor se perder e acabar dando atenção maior para certos personagens, ofuscando outros. Mas em Os Vingadores nenhum herói sobrepõe o outro. Extremamente fiel à HQ em que a história foi baseada, o filme funciona literalmente como um deleite em termos de adaptação para quem é fã e conhecedor dos quadrinhos. Mérito dos roteiristas e do diretor Joss Whedon (que também colaborou no roteiro), que souberam explorar muito bem as várias tramas e personagens da história originalmente criada por Jack Kirby e Stan Lee. Joss usou sua experiência como diretor de séries de TV em Os Vingadores e deu certo. Acostumado a dirigir seriados onde o tempo em tela de vários personagens é balanceado, para dar atenção a todos, o diretor soube usar a balança também no longa. Nenhum personagem se torna coadjuvante. Todos são protagonistas e ainda sim, o filme flui com cada um tendo sua própria história e trama pessoal.

As piadas e alfinetadas de Tony Stark com seus colegas de equipe são constantes e é o ponto alto dos momentos menos tensos e movimentados do filme, quando ele insiste em perturbar o Capitão América ou Bruce Banner. Querendo ou não, o Homem de Ferro foi quem começou toda essa saga nos cinemas e é o grande elo de ligação entre os heróis que compõem a equipe. Até mesmo os personagens coadjuvantes do filme são importantes em certos momentos da história. O Dr. Selvig, que foi introduzido no universo dos Vingadores no filme de Thor, tem grande importância para o desenrolar dos acontecimentos e até mesmo o Agente Coulson, que foi criado exclusivamente para os cinemas, tem seu momento de mostrar sua verdadeira função em todo o universo dos Vingadores. Coulson é a representação indireta dos produtores, criadores e fãs na história. Ele é o propósito que fez tudo isso acontecer. Quem é fã sabe o quão impensável era, anos atrás, imaginar entrar em uma sala de cinema para assistir um filme onde vários heróis se uniriam para salvar o mundo. Ainda mais conhecendo a indústria traiçoeira e muitas vezes irritantemente injusta que é Hollywood.

Todas as pontas abertas nos filmes individuais dos heróis foram explicadas, mostrando que desde o começo os produtores e responsáveis pelo projeto tinham tudo planejado para culminar nesse filme. A história não é mostrada do ponto de vista de um herói específico. Basicamente se desenrola a partir das ações e decisões de Nick Furry dentro da S.H.I.E.L.D.. Vemos um pouco de como funciona a organização, seu conselho de pessoas anônimas, as decisões que precisam ser tomadas, os agentes e as instalações. Os Vingadores consegue ser um mash-up de histórias e personagens e ainda assim trazer elementos e tramas novas ao espectador. Conhecemos um pouco mais sobre a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro, que não tiveram filmes individuais, aparecendo apenas como participações nos filmes de Homem de Ferro e Thor, respectivamente. E nem por isso o filme deixa de ir um pouco mais ao fundo das histórias de, por exemplo, Bruce Banner (que não aparece nem é mencionado desde seu próprio filme), ou Steve Rogers que ainda sofre por ter perdido a mulher que amava e ter acordado em um mundo estranho para ele.

E por falar em pontas abertas, por favor, não saiam da sala antes do fim dos créditos. A história dos Vingadores ainda não acabou e, apesar de nem todos entenderem, a cena extra diz muito sobre o rumo que o universo Marvel vai tomar no futuro. Claro que ainda vai demorar, provavelmente teremos que ver continuações como Homem de Ferro 3, Capitão América 2, e até mesmo o possível filme do Homem Formiga que tanto tem sido especulado como a próxima aposta da Marvel.

Em termos técnicos, o filme é impecável. Todos os efeitos, cenas de ação, figurinos e tecnologia foram detalhados em tela e explorados de forma satisfatória. A cena épica e explosiva do clímax é muito bem dirigida, balanceando de forma muito positiva o foco da batalha, indo de um personagem ao outro sem deixar a linha narrativa confusa. Toda a ação individual tem consequências e ligação com o que está acontecendo ao seu redor e com os outros heróis. É tudo muito bem coreografado e arquitetado para não deixar o espectador “perdido” em nenhum momento, algo um pouco raro para filmes de destruição em massa semelhantes (Michael Bay é a prova viva disso). Mais interessante ainda é observar como o filme soube explorar o conhecimento dos fãs dos quadrinhos. É impossível não se empolgar ao ver o porta-aviões da S.H.I.E.L.D. decolando da água com toda a sua grandeza e tecnologia, ou com a Torre Stark, imponente e genial no centro de Manhattan ou mesmo ver todos os Vingadores lado a lado, quebrando tudo no meio de Nova York e prontos para enfrentar qualquer um ou qualquer coisa que aparecer para ameaçar o planeta.

O 3D, que era o que eu mais achei que ia me decepcionar, me surpreendeu e já na primeira cena me deixou de boca aberta quando personagens e objetos começaram a sair da tela sem nenhum tipo de distorção ou efeito forçado. Durante todo o filme a sensação de profundidade está presente e muitas vezes, principalmente no clímax, objetos, faíscas, estilhaços, personagens e grandes objetos são arremessados para fora da tela. A sensação de terceira dimensão é tão forte, que eu inconscientemente virava o rosto em algumas cenas, por puro reflexo, achando que algo ia sair da tela em minha direção. O efeito é discreto, mas funciona incrivelmente bem em todo o filme. Quanto à trilha sonora, eu normalmente não costumo me impressionar com as trilhas dos filmes dos heróis da Marvel, porém em os Vingadores a trilha se encaixa perfeitamente com as cenas, deixando tudo ainda mais épico. Alan Silvestri captou perfeitamente o clima tenso e grandioso do filme e fez uma trilha sonora à altura dos heróis que vemos em tela.

Algo que me chamou a atenção foi que, em nenhum filme individual dos Vingadores a figura de super-herói foi explorada. Em alguns, o termo nem ao menos é mencionado. Talvez o que mais tenha chegado próximo disso tenha sido Homem de Ferro. Porém, os filmes sempre foram focados na história dessas pessoas extraordinárias e não em seus atos heroicos. Thor era apenas o Deus que veio à Terra por causa do seu exílio e se apaixonou. Hulk era apenas um fugitivo do governo querendo viver em paz com seu “problema”. A Viúva Negra e o Gavião Arqueiro eram apenas os espiões treinados para matar. E o Homem de Ferro, bem, era apenas um gênio excêntrico, bilionário, playboy e filantropo que decidiu usar sua inteligência para algo maior. Porém em Os Vingadores, todos eles se tornam públicos, eles realmente se intitulam protetores da Terra e fazem de tudo para protegê-la. Vemos a mídia mostrando seus rostos, especulando seus paradeiros e identidades. Vemos as pessoas admirando e os odiando. Vemos as mocinhas indefesas com seus olhares apaixonados depois de serem salvas pelos heróis bonitões. Essas pessoas extraordinárias que foram apresentadas à nós se tornam os heróis que o mundo precisa. Alguns odeiam, outros amam e agradecem. Mas eles existem, e todos precisamos deles. E quando eu digo todos, eu me refiro a você que está lendo esse texto e a todos que foram ou vão assistir Os Vingadores no cinema. Eles podem não existir na vida real, mas eles nos trazem esperança, nos empolgam, e nos surpreendem. Nós precisamos deles. Precisamos de Vingadores.

Crítica publicada no dia 27 de abril de 2012 no site Disney Mania.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge



Depois de assistir Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, é difícil encontrar palavras para descrever esse filme. Esqueça tudo o que você viu anteriormente. Esqueça os filmes anteriores do Batman, esqueça qualquer filme de super-herói ou fã filme. TDKR é maior do que tudo isso. NINGUÉM está preparado para o espetáculo cinematográfico que é esse filme. NINGUÉM. Nolan se superou e trouxe para o público aquele que eu considero ser o seu melhor filme. Direção afiadíssima, as cenas de ação, tensão, humor, e drama se intercalam numa montanha-russa de sentimentos muito mais intensa do que a do filme antecessor do homem-morcego. A trilha sonora de Hans Zimmer dispensa comentários, tamanha sua epicidade e qualidade. Sem falar no elenco, altamente competente, sem tirar nem pôr. Todos têm seu momento de brilhar na trama. Bane superou todos os vilões da trilogia com uma interpretação assustadora do Tom Hardy para uma mente doentia e quebrada. Você achava o Coringa um louco? Se prepare para um outro nível de insanidade com Bane. Anne Heathaway está indescritível como a Mulher- Gato. Sério, ela rouba todas as cenas em que aparece e tira o fôlego dos espectadores quando sobe na moto do Batman. Marion... bem, dispensa comentários... rsrs
É difícil falar sobre esse filme sem soltar spoilers, então vou me ater a esses breves comentários. O que posso dizer é que se você ainda não viu O Cavaleiro das Trevas Ressurge, corra pro cinema antes que as surpresas do filme cheguem ao seu ouvido primeiro. Acredite, são muitas. Esse filme merece ser visto o mais rápido possível. Filme do ano? Sem dúvidas. Fechou a trilogia com chave de ouro? Sem sombra de dúvidas. TDKR já é um dos meus filmes favoritos e vai demorar para algum outro chegar perto de superá-lo. Parabéns Nolan. E obrigado pela trilogia épica que você fez. Gotham não esquecerá...


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Amanhecer: Crítica em tweets


Obs: Esse post contém spoilers pra quem não
viu o filme/leu o livro!

Finalmente vi Amanhecer - Parte 1. Como fiquei com preguiça e achei desnecessário escrever um texto elaborado e sério sobre o filme, decidi postar aqui minha crítica em forma de tweets que fiz depois da sessão...

  • Ok, vamos começar...
  • 30 SEGUNDOS DE FILME E JACOB JÁ TIROU A CAMISA. EU JURO QUE QUASE ME LEVANTO E SAIO DA SALA... ¬¬
  • Velho, Bella tava sentindo dor na hora do casamento? Porque olha, nunca vi uma noiva passar tão mal no caminho para o altar... ¬¬
  • Primeira coisa boa do filme: Pesadelo de Bella com todos os personagens mortos aos seus pés. #rialto nessa parte! #DexterFeelings
  • O casamento pareceu que durou duas horas e não tem nada demais pra comentar. Vamos para a lua de mel...
  • VENHAM PARA O O RIO DE JANEIRO!!! AQUI TODO MUNDO SE PEGA, A GENTE OUVE MÚSICA DE MACUMBA E TODO MUNDO É ÍNDIO! UHUUUL!!! \o/
  • Robert Pattinson falando "português". Tive crises de riso... Pfffff... HAUSHAUSHAUSHAUS
  • Obs: Os dentes dele são pretos na frente! Tá vendo meninas? Seu ídolo é um fumante nojento! #DealWithIt
  • Vem cá, que primeira vez sem graça foi aquela? Cadê a nudez produção? Quando eles começaram a gemer, a cena acabou! COMO ASSIM? ¬¬
  • Está comprovado que Bella é uma sadomasoquista e tem tendências suicidas. Sem mais...
  • A atriz que faz a "índia" do Rio de Janeiro é PÉSSIMA! Cadê a direção de atores?
  • Conseguiram deixar menos chata a parte da gravidez de Bella. Gostei disso. No livro é insuportável! ¬¬
  • Depois que Bella volta não tem muita coisa interessante pra comentar, a não ser os lobos conversando no melhor estilo Como Cães e Gatos. ¬¬
  • Jacob podia crescer né? Eu sei que o problema é no livro, mas se eu fosse roteirista, fazia ele com menos #mimimi ¬¬
  • Pra que diabos têm que botar uma música "cantada" pra tocar a cada 5 minutos no filme? Antes fizessem um musical, porra!
  • Enfim, o parto: No livro é melhor. Tava doido pra ver o bebê rasgando a barriga de Bella com os dentes! EU QUERIA SANGUE PORRA!
  • Segundo ponto positivo do filme: Maquiagem. Sério, Bella ficou INCRÍVEL durante a gravidez e durante o parto! Inacreditavelmente magra!
  • Enfim, vem o parto e eis que surge o momento de Kirsten Stewart brilhar... Que momento é esse? Quando ela interpreta Bella morta. HAUSHAUSH #Troll
  • Sério, foi a morta mais convincente que já vi! HAUSHAUSHAUSH
  • Depois vem a cena da sua transformação no melhor estilo "Possessão de Harry" em Ordem da Fênix... #risos #mamilos
  • Mas gostei mais da transformação no filme do que no livro. Foi mais empolgante de se ver...
  • A edição ficou legal e deu um final pro filme (no melhor estilo Avatar), super instigante pra ver a segunda parte...
  • A cena pós créditos foi super brega e desnecessária. #FaloMermo
  • Enfim. Acabou o filme e eu saí tirando onda com minha camisa de "I Have Stuck With Harry Until The Very End"... #mamilos
  • Resumindo...
  • O melhor de Amanhecer: O parto e a transformação. As cenas tão ruins a ponto de serem hilárias. E... Acho que só. =P
  • O pior de Amanhecer? Todo o resto. #risos
  • Agora é sério, continuo achando os lobos artificiais demais. Mas melhoraram bastante. Isso é fato.
  • Kirsten Stewart se soltou mais, mas a sua Bella continua parecendo ter sérios problemas mentais e depressivos.
  • Robert Pattinson continua boring e com cara de dor, como sempre. ¬¬
  • Mas enfim, é melhor que o livro. Pelo menos é mais direto e não enrola tanto... rsrsrs
  • Acho que chega né? Daqui a pouco o Twitter me bloqueia... E Amanhecer não merece um bloqueio meu no Twitter... =P
E viveram felizes para sempre... Oh, wait! Ainda tem a segunda parte! #fail

Tweet de última hora:
  • Denúncia: Fui assistir Amanhecer e não passou o trailer de Jogos Vorazes! E AÍ, PRODUÇÃO? ¬¬

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Lanterna Verde


Acabei de chegar da pré-estréia de Lanterna Verde e vou deixar alguns comentários a seguir sobre o filme. Olha, o longa é melhor do que eu esperava, mas pior do que poderia ser. Faltou alguma coisa para o filme me fazer sentir a empolgação que senti vendo - usando filmes de heróis mais recentes - Homem de Ferro ou Thor, por exemplo. Claro que são universos e estúdios (Marvel X DC) diferentes, mas se você levar em conta as fórmulas comuns nos filmes de heróis, Lanterna Verde não inova. Ele consegue ser bom ao executar a receita do bolo, mas faltou saber fazer a cobertura e botar a cereja em cima para dar aquele toque especial.
Talvez a culpa tenha sido do diretor Martin Campbell que apesar de dirigir bem, comete alguns deslizes no ritmo e na montagem de algumas cenas. Ou talvez a culpa seja do roteiro. Não sei. Por não ser nenhum conhecedor do universo e das histórias do Lanterna, não posso afirmar com certeza se a produção não quis inovar ou se a própria história de Hal Jordan é previsível. O filme tem momentos de humor um tanto quanto bobos e o romance do Hal com a Carol foi tratado de forma confusa e um tanto quanto entediante na minha opinião. Sinto falta de histórias de romance como a de Peter Parker e Mary J., por exemplo. Carol não consegue chamar a menor atenção para si em termos de personalidade. Achei uma mocinha fraca, porém lindíssima, devo dizer...
Apesar desses contras, me surpreendi com o drama e a história por trás do Hal Jordan. Sempre achei que Ryan Reynolds não servia para um papel sério como o de um super herói. Quando olho para a cara dele, só penso em filmes de comédia. Porém ele fez um trabalho um pouco melhor nesse filme em termos de drama, já que Hal tem todo um caminho de superação interior para percorrer durante a trama, o que exigiu um pouco mais do Reynolds na hora de atuar. Mesmo assim, devo dizer que o Lanterna Verde dele tem vários momentos cômicos, porém forçados, algo que na minha opinião é herança de seus trabalhos anteriores em filmes de comédia.




Quanto ao 3D, achei dispensável, apesar de funcionar bem em várias cenas, principalmente nas que abusam dos efeitos especiais, logo no início do filme. Poderia ser melhor já que o longa tem muitas cenas de voo e de ação no ar. Se o 3D fosse melhor trabalhado nessas partes, o resultado seria muito mais satisfatório. Mas vai de cada um. Se você é fã do Lanterna, recomendo ver em 3D. Vai ser no mínimo mais divertido ver o anel saindo da tela e coisas do tipo...
Quanto aos efeitos, eu odeio dizer isso, mas eu estava certo: A maioria das coisas possuem tons muito artificiais, principalmente em Oa. Achei difícil acreditar que algumas coisas criadas por CGI realmente eram sólidas e verdadeiras no filme. Porém depois de um tempo de exibição, você se acostuma e esquece esse ponto negativo. Quando chega no clímax, você já está achando que tudo é real e pronto. Deve ser algum tipo de aceitação do nosso inconsciente, sei lá. Mesmo assim, todo o design de Oa é legal e realmente bonito de se ver. Mas ainda prefiro Asgard, que conseguiu transparecer mais realidade do que o planeta de origem dos Lanternas Verdes.
Gostei muito do vilão, apesar de achar muito parecido com o Galactus de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado. Parallax em alguns momentos até me fez sentir um frio na espinha com aquela cara medonha de quem vai consumir sua alma através do medo. E a sua origem também é muito interessante, já que mostra que o medo pode corromper qualquer um, inclusive um Lanterna Verde (vide cena inter-créditos... #ficadica).
Outro ponto positivo foi a clareza na explicação de todo o universo da trama, desde o funcionamento do anel do Lanterna Verde até a criação e funcionamento de Oa. Não fiquei confuso em momento algum do filme. Pelo contrário, saí doido pra achar um anel daquele pra mim!
Enfim, gostei de Lanterna Verde. Volto a repetir que Hal Jordan nunca atraiu minha atenção, já que ele é um dos heróis que eu sempre achei brega demais pra me interessar e procurar ler suas histórias, por isso, se falei alguma besteira, me perdoem. Desculpem também comparar os universos da Marvel e da DC, mas são esses os concorrentes do Lanterna atualmente, portanto achei interessante trazer essa discussão para o texto. Se você gosta de filme de herói, vá ver Lanterna Verde. Apesar de não ser extraordinário, o filme é uma ótima ferramenta de entretenimento e serve ao seu propósito. Não tenha medo de assistir. Você vai pelo menos se divertir por duas horas, é só ter força de vontade... ;)


"No dia mais claro,
Na noite mais densa,
O mal sucumbirá ante a minha presença.
Quem venera o mal tudo perde
Frente ao poder do Lanterna Verde!"

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Carros 2: Crítica de Fã para Fã

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Devo começar essa crítica lembrando que sou um grande (até demais) fã da Pixar, apaixonado por sua filosofia, arte, filmes e produções. Mas não é por amar esse estúdio que não posso criticar seu trabalho. E Deus sabe como não queria que eles fizessem uma continuação agora, depois de Toy Story 3. Ainda mais uma continuação de Carros, filme que considero o mais fraco entre o belíssimo currículo de longas do estúdio. Esse mesmo Deus sabe o quanto eu gostaria de dizer o contrário, mas Carros 2 é muito inferior aos seus companheiros longas da Pixar.
O filme se passa três anos depois do final do primeiro filme. Relâmpago McQueen já venceu quatro Copas Pistão e está de volta a Radiator Springs para passar mais um verão ao lado dos seus amigos, principalmente de Mate. Porém um desafio surge quando um carro de Fórmula 1 italiano desafia McQueen para participar de um Grand Prix mundial, patrocinado por um carro milionário que acabou de descobrir uma fonte de biocombustível que irá abastecer os competidores. Empolgados com os desafios da competição, que irá fazer os carros correrem em vários terrenos diferentes, McQueen parte com Mate e seus amigos para juntos, como uma equipe, vencer e provar que é o mais rápido do mundo. Porém durante a competição Mate acaba se metendo no meio de uma trama de espionagem, sendo confundido como uma agente secreto americano à serviço da Inteligência Britânica e tendo que se arriscar pra salvar o mundo e seu melhor amigo.
Só dessa sinopse você já pode perceber que o filme é um show, visualmente falando. Dessa vez, saímos de Radiator Springs e vamos conhecer países como Japão, Itália, França e Reino Unido. Todos os cenários do filme são deslumbrantes: a arquitetura das cidades, ruas, hotéis, construções, é pensada para funcionar perfeitamente para os carros andarem. É tudo muito colorido e detalhado (vide as cenas em Tóquio). Sem falar que dessa vez temos personagens novos, como aviões e barcos, mas suas participações são pequenas, afinal, o filme é sobre carros.
E carros é o que não falta nesse filme. Vemos carros de todos o tipos e de várias nacionalidades durante toda a trama, incluindo alguns famosos como a Rainha da Inglaterra, o Papa, Louis Hamilton (dublado por ele mesmo na versão original do longa) e Fernando Alonso (dublado por ele mesmo na versão em espanhol do filme). Participam do Grand Prix mundial carros de Fórmula 1, da Stock Car, e muitos outros. Até mesmo o Brasil é representado no filme, no papel de Carla Veloso, dublada na versão nacional pela cantora Claudia Leitte, que faz bem seu trabalho, para minha surpresa, mesmo que apenas por duas falas. Crédito, é claro, para o diretor de dublagem Guilherme Briggs que fez um trabalho tão bom quanto a dublagem do primeiro filme.
Eu gostei muito da trama do filme. A ação se faz presente de forma muito mais agressiva nesse longa, se compararmos com o original que, basicamente, só possui duas cenas grandes de ação: o início e o final. Impulsionadas pela temática de espionagem que serve de alicerce para toda a história, o filme é cheio de explosões, perseguições, cenas de tensão e bugigangas. Carros 2 é uma bela homenagem ao gênero de espionagem do cinema, desde sua bela trilha sonora composta por Michael Giacchino, com temas que o tempo todo me lembraram os filmes de James Bond, até as reviravoltas e personagens do filme, como o agente Fin McMíssil e o vilão alemão, Professor Z. Esse lado da espionagem é o que dá força e gera os conflitos da história, já que um filme só com corridas não seria muito interessante, não? Porém a impressão que se tem é que a Pixar se perdeu na ação e no visual e esqueceu o que é mais importante pra mim em seus trabalhos: o coração.
Carros 2 possui sim uma mensagem por trás de sua história e mais uma vez quem aprende com essa mensagem é Relâmpago McQueen, porém a lição de moral da vez não tem o mesmo impacto e a mesma profundidade quanto a do primeiro filme. A lição de moral é tão bobinha e infantil que ela é "aprendida" ainda no meio do filme! Faltou o lado adulto no longa, tão comum nos trabalhos anteriores da Pixar. Talvez isso seja uma consequência do fato de a trama girar praticamente o tempo todo ao redor de Mate, agora claramente um protagonista. Eu acho Mate um personagem irritante no primeiro filme e o comparo muitas vezes aos personagens tão comuns que a Dreamworks, por exemplo, gosta de usar como protagonistas: bobões, sempre se metendo em confusões por serem desastrados demais, e um tanto quanto histéricos e exagerados (vide Po, de Kung Fu Panda, o Burro, de Shrek, e Megamente). Apesar de parecido com o estereótipo da Dreamworks, dei uma chance para Mate no primeiro longa por ele ser apenas um coadjuvante, porém em Carros 2 a Pixar me fez o favor de inverter os papéis e assim, fugiu totalmente de sua fórmula perfeita para filmes perfeitos, na minha opinião. Só dou um desconto por eles terem adicionado uma leve carga emocional para Mate, perto do clímax, o que diminuiu um pouco o lado bobão dele e ajudou a criar a imagem de herói que ele assume no clímax do longa.
Porém não posso ficar só criticando como um fã e perder o senso crítico. Depois que o filme acabou, ficou claro pra mim que o interesse da Pixar em Carros 2 foi, acima de tudo, comercial, já que é um dos filmes que mais rendeu lucros para o estúdio com produtos de seus personagens. Sem falar no apelo que um carro falante tem para uma criança. É muito maior do que um velho carrancudo de bengala ou um robô que, apesar de apaixonante, não diz uma única palavra além do próprio nome. É uma pena ver a Pixar se render a esses dogmas e não estimular a inteligência e os sentimentos de seu público, principalmente infantil, como fez em Toy Story 3 e Wall-E.
Carros 2 seria facilmente um filme para sair direto em DVD, como uma daquelas continuações de clássicos Disney que nunca é tão lembrada e cultuada como o original. Só não digo que não vale a pena ver no cinema porque seu design é belíssimo, suas cenas de ação são ótimas e a trama de espionagem é interessante, porém fica muito longe do original em termos de profundidade e história. Até mesmo o 3D não acrescenta muito ao longa. Infelizmente Carros 2 não me marcou, o que me faz classificá-lo como desnecessário no currículo da Pixar e acredito que tenha poucas chances para ganhar um Oscar ano que vem. Só me resta torcer para que seus próximos trabalhos não cometam os mesmo erros que esse, afinal, tem outra continuação vindo pela frente, não é mesmo? Espero que eles sejam menos óbvios na próxima vez e aprendam com seus próprios erros. Eles sempre foram os primeiros dessa corrida e não quero ver meu estúdio favorito comer poeira e ficar pra trás.

Crítica publicada no dia 26 de junho de 2011 no site Disney Mania.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

TOY STORY 3 – Crítica de Fã para Fã


Quando as luzes do cinema apagaram hoje na sessão de Toy Story 3, senti uma enorme alegria por ter a certeza de que, nas cerca de duas horas seguintes, iria rever personagens, histórias e, por que não, velhos amigos que por tanto tempo senti falta. E estava absolutamente certo. O resultado de Toy Story 3 foi algo muito difícil para mim, fã desde pequeno, de descrever. Estou tendo sérios problemas aqui para manter a calma e fazer um texto coerente. Minha vontade era abrir a janela e gritar para todos os prédios vizinhos ouvirem que hoje vi um dos meus filmes favoritos pela primeira vez! Mas enfim, vou me ater aos fatos e falar do que realmente interessa.

Toy Story 3 é uma obra-prima. Sem sombra de dúvidas, como canso de repetir para quem pergunta, a Pixar é o estúdio mais genial e competente que o cinema possui atualmente. Desde a parte visual e gráfica até todo o desenvolvimento da trama, o filme não deixa nada a desejar. Eu disse nada! Se antes de assistir eu já esperava achar o filme maravilhoso, como sempre espero de um filme Pixar, depois que terminou percebi o quanto ele superou as minhas expectativas em todos os sentidos.

A história se passa dez anos depois dos dois primeiros filmes. Andy, agora com 17 anos, está indo para a faculdade e sua partida gera desespero nos seus velhos brinquedos, agora esquecidos dentro do escuro baú do seu quarto. A grande incerteza é saber que destino eles terão: o sótão ou o lixo. Como de costume, mal-entendidos acontecem e todos vão parar por engano na creche Sunnyside. Já conformados com uma vida sem Andy, eles são rapidamente recebidos com festa e acolhimento pelos outros brinquedos, representados pelo urso de pelúcia Lotso. Porém, aos poucos percebem que Sunnyside não é o local agradável e cheio de crianças meigas que tiveram como primeira impressão. Sob as ordens de Lotso, que revela uma personalidade inesperada, os brinquedos do Andy, com exceção de Woody, vão parar em uma sala onde crianças muito pequenas brincam de forma violenta e irracional, puxando, jogando e quebrando tudo que vêm pela frente. A partir daí o principal objetivo deles, liderados pelo cowboy, é fugir de Sunnyside e encontrar um novo lar e uma nova criança para chamar de dono. Claro que a trama vai muito além do que uma simples missão de fuga. Em todo o filme fica claro o quanto os brinquedos, principalmente Woody, são devotados e leais a Andy. Eles fazem de tudo (tudo mesmo) para voltar a revê-lo quando, já em Sunnyside, descobrem que ele está a procura deles.

Confesso que esperava mais do 3D no filme. Apesar da sensação de profundidade que algumas cenas nos passam, o efeito quase não é percebido durante boa parte do longa, portanto acho que em 2D teríamos a mesma sensação que em terceira dimensão. Porém vale a pena pagar mais caro simplesmente para assistir ao curta Dia e Noite que antecede o filme. Percebi que ele foi idealizado para ser visto em terceira dimensão. Além de belíssimo visualmente, possui uma mensagem nas entrelinhas muito interessante e que me fez ver como a Pixar se preocupa com a qualidade de tudo que cria, inclusive seus curtas-metragens, normalmente ignorados pela grande massa, que só quer ver mesmo o filme.

Voltando a Toy Story, a parte técnica do filme é perfeita. Todas as cenas são de um realismo e beleza indescritíveis. Os brinquedos possuem um tratamento impecável, com direito a encardidos, arranhões, manchas, entre outras coisas. Sem falar na reprodução de materiais como plástico e, o mais impressionante na minha opinião, o pêlo de Lotso, idêntico ao de um urso de pelúcia de verdade. O cenário foi outro ponto forte da animação. Ao vermos Sunnyside pela primeira vez, a sala de cores vivas, primárias e alegres nos passa a sensação de segurança e felicidade, assim como acontece com os brinquedos. Porém, quinze minutos depois, ao vermos o que realmente aguarda os brinquedos na creche, toda a aparência do lugar muda de algo acolhedor para algo hostil e em vários momentos assustador.

Por falar em assustador, pela primeira vez senti medo em um filme da Pixar. Não medo a ponto de ter pesadelos ou ficar assombrado, como em um filme de terror, mas a trama em vários momentos assume tons altamente tensos e até apavorantes (o macaco que é o olho-que-tudo-vê de Lotso é irritantemente assustador com aquele grito agudo). Aliás, a história é eclética o tempo todo, variando desse suspense para o humor, sempre na medida, como de praxe no estúdio (o Ken tem cenas muito boas, assim como o Sr. Cabeça de Batata). Sem falar que nunca a nostalgia foi tão bem utilizada em uma sequência quanto nesse filme. Até o Buzz voltando a achar que é um patrulheiro das galáxias continuou engraçado!

Toy Story 3 é uma montanha-russa de sentimentos que te deixa tenso, te faz rir e cair em lágrimas como um bebê em pequenos intervalos de tempo. Não só pelo lado nostálgico da série que, como disse, foi bem aproveitado no filme, mas por nos fazer esquecer em vários momentos que estamos vendo um filme sobre brinquedos que falam. Em muitas partes da história nos vemos na pele daqueles pequenos indefesos e desesperados e nos identificamos com seus medos e traumas. A maioria dos filmes Pixar nos faz entrar na trama como se o filme falasse de nós mesmos, mas nunca me vi tão retratado na tela como hoje. Sempre fui uma criança cuidadosa, não só com meus brinquedos, mas com tudo que tive. Isso sempre fez eu me sentir retratado na pele de Andy: inventando histórias mirabolantes de aventuras épicas com meus brinquedos. Porém nesse filme me vi retratado não mais na criança brincando com seus brinquedos, e sim no garoto prestes a virar adulto. Ao se ver longe daqueles brinquedos, seus amigos e companheiros por tantos anos, vi em Andy um certo medo de assumir que ele não pode mais brincar com eles. Vi nele a mesma tristeza que os próprios brinquedos sentem ao se afastar dele. Tristeza por não poder mais se trancar no quarto por uma tarde e contar a história de como Woody, Jesse e Buzz salvaram o mundo dos planos do Malvado Senhor Porcão e do Sr. Cabeça de Batata. Mas acima de tudo vi em Andy medo de crescer. A cena final do filme deveria, na minha opinião, entrar para a história do cinema. Nunca uma relação de amizade, muitas vezes ridícula para adultos como nós, foi retratada com tanta delicadeza, cuidado e emoção. Pois, apesar de brinquedos, para Andy eles sempre foram amigos, companheiros que sempre estiveram ao seu lado.

A Pixar realmente conseguiu fazer história de novo, assim como fez com o primeiro longa dessa trilogia, sendo a pioneira da animação digital. Eles mostraram mais uma vez como uma verdadeira sequência deve ser, dando uma aula a muitos estúdios que insistem em franquias prolongadas apenas para lucrar, não só com humor forçado mas também com histórias fracas (sim, estou questionando a volta sem sentido e sem necessidade de um certo ogro, mais que ultrapassado, aos cinemas). Se eu estava meio preocupado com as continuações de Carros e Monstros S.A., novos projetos do estúdio nos próximos dois anos, agora posso ficar tranquilo, pois eles me mostraram que realmente sabem dar sequência a uma história de forma majestosa. Três horas depois de ter começado essa crítica, espero ter conseguido expressar nessas humildes palavras tudo que se passou pela minha cabeça hoje. Fiquei realmente muito feliz com esse filme e com essa conclusão de uma história que tanto me marcou, desde criança. Afinal, de que mais esse filme trata além de infância e, como lembra também a nostálgica música, amizade?



“O tempo vai passar
Os anos vão confirmar
Às três palavras que eu proferi
Amigo estou aqui”


Crítica publicada no dia 19 de junho de 2010 no site Disney Mania.

O Último Mestre do Ar


M. Night Shyamalan. Esse é o nome chave desse filme. Se o resultado foi o que agora está sendo exibido nos cinemas, a culpa é desse cara. Vindo de uma carreira que eu representaria como um gráfico de uma função expoente descrescente (relevem o meu novo lado matemático de ser, culpa da faculdade), Shyamalan teve seu auge com O Sexto Sentido, filme que tenho que concordar é muito bom. Depois seus trabalhos começaram a perder o sentido e aquela pegada original necessária para fazer sucesso com a grande massa e com os críticos. Filmes como A Vila, A Dama na Água, Sinais, Fim dos Tempos entre outros foram alguns dos sucessores do famoso "Eu vejo gente morta", mas não tiveram o mesmo sucesso. Desses quatro que citei, só gosto mesmo de Sinais, por causa da temática extra-terrestre que sempre me atrai. Do resto só não assisti A Dama na Água, mas posso dizer que dispenso os outros dois com fervor. Não vou falar sobre a carreira do cara, que ainda considero um diretor legal. Estou aqui para falar de O Último Mestre do Ar, trabalho mais recente de Shyamalan.

Para quem não sabe, o filme é uma adaptação da série de desenhos da Nickelodeon, Avatar: A Lenda de Aang. A base da história é a mesma, com a única diferença que o filme é um grande resumo de toda a primeira temporada da série, conhecida como Livro Um: Água. A trama se passa num mundo onde pessoas podem "dobrar" os quatro elementos, ar, água, terra e fogo. Várias nações e tribos estão sendo manipuladas e ameaçadas pela nação do fogo. É aí que dois irmãos, Katara e Sokka, encontram um menino que ficou congelado por 100 anos no gelo. O menino, de nome Aang, se diz ser um dobrador de ar, espécie de dobrador já extinta e ser o Avatar, único no mundo capaz de dobrar os quatro elementos ao mesmo tempo. Juntos, Aang, Katara e Sokka vão partir para o norte para que Aang possa aprender a dobrar a água e assim enfrentar a nação do fogo.
Eu adoro essa temática de elementos e gosto bastante da idéia de poder manipular elementos da natureza. Só com isso já acho que esse filme tinha tudo para ser visualmente bonito e ter uma trama interessante. Bom, o filme é incrivelmente bonito. Os cenários, figurino, lutas e principalmente as cenas de dobra dos elementos são de encher os olhos, porém o roteiro é terrivelmente ruim. Na tentativa de compilar toda uma temporada de 20 episódios em menos de duas horas de filme, o roteiro se transformou em uma narrativa corrida, com informação demais e tempo de menos e muitas, MUITAS vezes incoerente. A quantidade de cenas sem sentido, desnecessárias e mal editadas é enorme, fazendo o filme perder o ritmo em vários momentos e nos fazer perguntar: "Oxe! Que diabos de cena foi essa?".

Diferente do desenho, que abusa do humor, o filme tem um tom sério a maior parte do tempo, com pouquíssimas cenas de humor, o que cria uma atmosfera de tensão que poderia ser muito bem trabalhada. Porém aí entra outro defeito: a atuação do elenco. Alguns personagens não conseguiram mostrar a que vieram, representando de forma fraca e não dando à já citada atmosfera de tensão, a devida importância. Mais um ponto que deveria ter sido trabalhado por Shyamalan, já que seus filmes sempre possuem um lado psicológico fortíssimo. Pelo menos o protagonista, que é estreante, conseguiu interpretar bem o seu papel e não me decepcionou.
Mas é claro que não vou criticar negativamente o filme o tempo todo. Como disse, o visual do longa é lindo do início ao fim (até os créditos são bonitos de se assistir), com fotografia legal, cenários imensos e com uma arquitetura linda. Outro ponto que posso elogiar é a trilha sonora, composta por James Newton Howard (O Cavaleiro das Trevas e As Crônicas de Nárnia), que é incrivelmente empolgante, combina com o clima zen do filme e sabe dar ritmos às cenas de batalha. Preste atenção na música no clímax da Batalha da Nação da Água do Norte no final do filme. É simplesmente épica.

Enfim, O Último Mestre do Ar poderia ser um filmaço. Tinha trama, material e diretor para isso, mas infelizmente não saiu como deveria. Recomendo como uma diversão passageira, pois não é nenhuma obra-prima. O 3D também não tem nada demais. Quase nada sai da tela, o que me faz pensar se ainda devo pagar pra ver esses filmes convertidos para o 3D, ou se devo apenas ver em 2D, já que têm o mesmo efeito. Não trato o filme como a crítica americana e brasileira têm tratado. O filme não é nenhuma ecatombe do cinema. Já vi filmes muito piores esse ano, por isso digo que O Último Mestre do Ar tem o seu valor, pena que não é tão valioso como um Avatar seria para os interesses da tribo do fogo...

Percy Jackson e o Ladrão de Raios


É difícil escrever sobre uma adaptação de um best-seller para os cinemas. As opiniões sempre ficam divididas entre os que gostaram ou não. Normalmente os grandes estúdios ficam felizes quando pelo menos metade dos espectadores ficam satisfeitos com o filme. O problema é quando a maioria deles é formada por fãs do determinado livro e que saem dos cinemas revoltados com o que viram nas horas anteriores. Acreditem, essa cena tem se repetido por todos os cinemas que passo, e deve estar se repetindo pelo mundo todo também, com os fãs da série sobre mitologia grega Percy Jackson e os Olimpianos.

Primeiro vamos ao livro. Apesar de possuir uma narrativa de certa forma infantil e simples, o livro possui uma trama muito interessante e amarrada. Reviravoltas não faltam na história e a tensão é mantida do primeiro capítulo até o último. Claro que certos mistérios são meios óbvios de serem resolvidos, mas a história não perde sua força por isso. Pelo contrário, os leitores ficam ainda mais ávidos para descobrir o por que de certa profecia dizer algo tenebroso ou o por que de alguém ter de trair os amigos. A série foi tão bem recebida em todo mundo que Rick Riordan, autor da séries de cinco livros, já pretende lançar outro livro com a temática de mitologia grega e seguindo a mesma direção de Percy Jackson! Até agora, só os quatro primeiros livros foram lançados no Brasil pela Editora Intrínseca. O último tem previsão de ser lançado até o fim do primeiro semestre de 2010. É impossível não concordar que um filme adaptando a série seria um sucesso de bilheteria, como Harry Potter ou As Crônicas de Nárnia. Mas isso não aconteceu com Percy Jackson.

Se o livro possui uma trama amarrada, complexa e, acreditem, muito fácil de se adaptar para o cinema, o filme se tornou uma história fútil, cheia de furos, e mais um filme de comédia do que uma aventura fantástica. Fui na pré-estréia do filme e ontem fui ao lançamento do quarto livro (A Batalha do Labirinto) com o Fã-Clube da série, e posso dizer que muitos fãs estão querendo “matar” Chris Columbus, o diretor desse primeiro filme, pelo o que viram nos cinemas. Lembrem-se que Chris foi o responsável pelos dois primeiros filmes de Harry Potter, que foram um dos mais lucrativos da história do cinema! Porém, como discutido ontem por alguns fãs mais calmos, o problema não foi Chris Columbus, mas sim o roteirista Craig Titley que, ao receber o trabalho de adaptar o primeiro livro, pegou somente a base mais simples da história e criou outra completamente diferente por cima. Personagens foram cortados (inclusive o vilão da série), deuses foram mudados de lugar na história e muitos personagens tiveram suas personalidades mudadas! Sem falar no fato de que, no primeiro livro, Percy Jackson tem entre 11 e 12 anos, e no filme ele aparece com 16!

Sei que quem não leu os livros e não conhece a série deve estar se perguntando quem é Percy Jackson ou quem são esses deuses que falei. Bom, a base da história, tanto do livro, quanto do filme, é contar a história de Percy Jackson, uma garoto desléxico e com déficit de atenção que descobre que é filho de um Deus do Olimpo. Sim, na série, os Deuses do Olimpo ainda vivem entre nós e, de tempos em tempos, descem à Terra onde têm relações com mortais, deixando possíveis filhos, os chamados meio-sangues ou heróis. Ao descobrir que é um semi-deus, Percy Jackson vai parar no Acampamento Meio Sangue, uma espécie de Hogwarts, onde os meio-sangues são treinados para enfrentar os monstros e perigos mitológicos espalhados pelo mundo. Porém, nesse meio tempo, o raio supremo de Zeus é roubado misteriosamente, causando discórdia entre os deuses e podendo desencadear uma possível guerra caso não seja devolvido. E Percy é exatamente o primeiro suspeito de ser o Ladrão de Raios. Então, com a ajuda de Annabeth, filha de Atena e Grover, um sátiro, ele sai em busca do tal Raio de Zeus para recuperar a paz ao seu mundo. Só por essa enorme sinopse vocês já tiram o quanto a história é complexa! E isso não é nem metade do que é contado nos livros! Porém no filme, tudo é cortado e uma jornada completamente diferente é criada para mostrar a busca de Percy pelo raio de Zeus.

Apesar de tudo que disse, nós também devemos ver o filme com os olhos de uma pessoa leiga que nunca leu nenhum livro da série, já que muita gente vai ver sem saber do que se trata. E por mais que eu tenha criticado o filme até agora, ele funciona muito bem como um filme isolado. É divertido, tem ótimas cenas de ação e é muito mais bem produzido do que eu pensei que seria. Crédito, é claro, de Chris Columbus, que dirigiu bem o filme e conseguiu deixá-lo ágil e com cara de filme família, como fez com Harry Potter. Claro que o roteiro tem muitos furos, porém o longa funciona para entreter famílias e trazer possíveis novos fãs para a série. Os efeitos especiais, que achei que não seriam bons, têm um nível de qualidade muito bom, que dá ao filme um ar mais real (o Mundo Inferior ficou incrível). O humor é muito forte durante as duas horas do filme. Destaque para Grover, interpretado por Brandon T. Jackson, que se tornou o personagem com a função de inserir uma piada sempre que a trama fica tensa. Ficou um pouco comédia demais, mas diverte. Para quem não assistiu ainda, destaco também Poker Face de Lady Gaga que toca na cena do Cassino Lótus e que virou a música tema do filme para os fãs, além de se tornar o comentário no cinema! ♫ Mah Mah Mah Mah ♫ (Não resisti… :-p)

Enfim, a única coisa que posso dizer é o seguinte: Se você nunca tiver lido o livro, vá ver o filme pois é quase certo que pelo menos você vai se divertir e dar boas risadas. Se você leu o livro e ainda não assistiu, sugiro que vá ver mesmo depois de tudo que falei (eu vi duas vezes na mesma semana, e não morri. Você vai sobreviver mesmo se não gostar do filme). Confesso que a revolta vai ser um pouco grande pra quem tem um carinho pela série, mas vale a pena para ver o resultado e, como falei, pela diversão que o filme consegue trazer. Cabe a cada um decidir e, após o filme, analisar e tirar suas próprias conclusões. Quem já tiver visto, comente o que achou do filme. Quem não viu mas ainda vai ver, volte aqui depois e comente o que achou! Pois, assim como a maioria das adaptações de livros para o cinema, Percy Jackson pode gerar ainda muita discursão.

Como Treinar o Seu Dragão


Animações costumam ter o poder de atrair uma enorme quantidade de público aos cinemas devido ao apelo infantil que costumam ter. Estúdios como Pixar, Dreamworks, entre outros, todo ano fazem o melhor que podem para lançar o melhor filme de animação do ano. Eu, pessoalmente, sou um fanático pela Pixar, e idolatro eles com o fundo do meu coração. Seus filmes fizeram parte da minha infância e marcaram a minha vida, sem exceções. Depois que passei a observar mais o mundo do cinema e conhecer técnicas e tudo o mais, passei a expandir mais meus horizontes, procurando outras animações além das da Pixar. Vou confessar que, até essa semana, a Dreamworks ainda estava num conceito muito abaixo do da Pixar na minha opinião. Apesar de fazer um enorme sucesso com filmes como Shrek, Kung Fu Panda e Monstros Vs. Alienígenas, a Dreamworks sempre representou pra mim filmes de comédia quase pastelão no mundo da animação, enquanto os filmes da Pixar possuiam um humor mais direcionado, sem piadas idiotas e com histórias que nos traziam uma mensagem no final e não só risadas. Pois bem, mudei minha forma de pensar sobre a Dreamworks depois de assistir Como Treinar o Seu Dragão.

O filme, adaptado do livro de mesmo nome, conta a história de Soluço, filho de um Viking que mora em uma aldeia constantemente atacada por dragões. O sonho do protagonista é se tornar um grande matador de dragões, porém suas ações levam todos a crer que ele não leva jeito para a “profissão”. Durante um ataque, Soluço consegue derrubar e capturar um Fúria da Noite, o dragão mais perigoso e misterioso de todos. Como é comum com as crianças, ninguém acredita em sua história quando ele a conta. Ao encontrar o dragão abatido, Soluço descobre que não consegue matar dragões e solta a criatura, que depois se torna amigo dele, recebendo o nome de Banguela. Nesse meio tempo, seu pai o obriga a entrar no “curso” de treinamento para se tornar um matador de dragões. É aí que começa uma vida dupla, enquanto tenta sobreviver ao curso, Soluço desenvolve uma forte amizade com Banguela às escondidas que traz a ele uma forma diferente de ver o modo de viver dos dragões.

Como comentei, a Dreamworks sempre fez filmes em que os heróis e personagens principais sempre eram uma espécie de bobão atrapalhado que, para fazer rir, sempre caia, se batia em alguma coisa, ou causava algum desastre, fazendo todo mundo rir, como foi o caso do Panda Po, e o Burro de Shrek. Diferente da Pixar, que cria personagens profundos, com uma história forte e altamente apaixonantes como Wall-e, Nemo e Carl Fredericksen. Não estou desmerecendo a Dreamworks pelos trabalhos anteriores, só acho o estilo dos filmes inferior, ao se fazer uma comparação direta com a Pixar. Porém, em Como Treinar o Seu Dragão, não há esse humor, paradoxalmente, sem graça. As cenas engraçadas, realmente são engraçadas, e os personagens têm uma carga emocional muito forte. Aliás, a trama em si é densa. A amizade de Soluço com seu amigo dragão é delicadamente desenvolvida, fazendo a platéia se apaixonar pelo bicho e querer um igual para levar para casa. O mesmo acontece com a relação entre Soluço e seu pai, que possui um forte tom dramático e me fez encher os olhos de lágrimas no fim. Sem contar que o fator realidade está fortemente presente na história. (Half – Spoiler) A morte sempre é uma opção em cenas de ação e ferimentos graves são comuns, como realmente acontece com um certo alguém no clímax.

Apesar de tudo, todos os filmes da Dreamworks sempre tiveram um visual incrível, com cenas lindas de se assistir, como foi o caso de Kung Fu Panda. O mesmo acontece com esse filme. Cada dragão possui um estilo e forma diferente, o que os torna muito mais interessantes, pois passam a ter uma personalidade própria. As cenas de voo entre Banguela e Soluço são de tirar o fôlego e também incrivelmente bonitas. E todos os cenários são cuidadosamente trabalhados, dos mínimos detalhes à arquitetura da aldeia. Tudo isso é ainda melhor ao se assistir ao filme em 3D. Durante as cenas de voo, constantemente assistimos a cena do ponto de vista do dragão, o que nos faz entrar na tela e até sentir um certo frio na barriga. A profundidade é muito bem aproveitada e a Dreamworks finalmente acerta como usar o 3D de forma inteligente e interessante.

Como Treinar o Seu Dragão me surpreendeu, e muito. Faço questão em dizer que já é o meu favorito para o Oscar de melhor animação de 2010. Claro que a Pixar lança Toy Story 3 no meio do ano, o que pode mudar minha cabeça. Não sei qual vai se sair melhor, mas Como Treinar o Seu Dragão chegou para deixar sua marca nas nossas mentes, mostrando que a Dreamworks pode estar tendendo, em seus próximos lançamentos, para um caminho mais profundo no mundo da animação, onde os filmes deixam de ser apenas um produto de venda e diversão, mas também uma obra de arte que deve, e merece ser apreciada muitas e muitas vezes. Que eles se sintam à vontade, pois a fórmula eles já descobriram, só falta explorá-la da melhor forma.

Obs: Os apaixonados por Banguela, como eu, já estão tentando botar a tag #EuQueroUmDragao nos Trending Topics do Twitter. Quem quiser ajudar, fique a vontade! \o/

UP – Altas Aventuras


Primeiramente posso dizer que por ser um filme Pixar, não esperava nada menos do que esse filme foi… Quando uma amiga minha perguntou que filme era esse antes de nós entrarmos no cinema, eu disse:

- É da Pixar…

Aí ela disse:

- Sim! Mas que filme é esse?

E eu respondi:

- É DA PIXAR! Preciso dizer algo mais que isso?

E é exatamente isso que acontece. Os filmes da Pixar são os únicos filmes que vou para o cinema com a certeza de que vou sair satisfeito. Seus criadores, na minha humilde opinião, são os mais geniais do cinema moderno, pois a cada filme que eles fazem, eles se superam e criam coisas cada vez mais novas e inusitadas. E o inusitado está o tempo todo presente nesse filme, dirigido por Pete Docter e Bob Peterson (Os mesmos diretores de Monstros S.A.).

Se visualmente falando os críticos do mundo todo estavam esnobando da Pixar por criar um protagonista velho e ranzinza, dizendo que não venderia nem atrairia público, eles conseguiram transformar esse velho ranzinza em um dos personagens mais bonitos, simpáticos, tocantes e marcantes da história dos 10 filmes da empresa. Sua história é muito triste e ao mesmo tempo bela. Não há como explicar o que eu senti nos primeiros minutos do filme, quando é contada toda a história de vida de Carl Fredricksen (o tal velinho) sem nenhuma fala. Não porque não tinha o que falar, mas por não ter necessidade disso! As imagens pareciam ter fala, e foi genial como conseguiram contar a vida de uma pessoa de uma forma tão simples e ao mesmo tempo impactante. Não tinha dado nem 10 minutos de filme e já estava me sentindo triste por Carl. Pois enfim, a trama se desenvolve e somos apresentados à Russel, pequeno desbravador da natureza com apenas 8 anos que resolve ajudar Carl de alguma forma para conseguir um broche de ajuda ao idoso. Se a primeira imagem que você tem de Russel é que ele é apenas a criança engraçada e irritante da história, mais tarde também nos surpreendemos ao ver que até Russel tem mágoas e tristeza em sua vida. Mas voltando ao início, para fugir da obrigação de ir para um asilo, Carl faz sua casa voar atráves de balões de hélio, mas acaba levando Russel junto. O destino? América do Sul! Rumo ao Paraíso das Cachoeiras, uma terra perdida no tempo. A viagem dos sonhos dele e da falecida mulher, Ellie representada o filme todo pela casa em si. Carl em vários momentos conversa com a casa como se a esposa estivesse realmente presente. Pois enfim, a partir do momento que a viagem inicia, a trama começa a se desenvolver e só assistindo para ver o desfecho…

Quanto à comédia, é brilhantemente mesclada com o forte tom de drama da história na figura, não só de Russel, mas de Doug, o cachorro falante (ESQUILO!) e de Kevin, uma ave desconhecida que Russel encontra, acaba adotando e que ganha, no meio do filme, um papel muito importante na trama. A ação é constante durante toda a viagem até a America do Sul, e, nos cinemas, essa ação ainda tinha como atrativo o 3D que, apesar de não apresentar muitos objetos saltando para fora da tela, proporcionava uma enorme sensação de profundidade. Nas cenas em que personagens ficam pendurados a muitos metros de altura, tinhamos a sensação de que nós podíamos cair a qualquer momento junto com eles. Claro que, em DVD a diversão não é menor. Mas quem sabe em breve, com essas novas TV’s 3D nós não poderemos ver o filme nesse formato no conforto de casa? É uma grande possibilidade!

Quanto à mensagem do filme. Na minha opinião foi umas das mais bonitas até agora entre todos os filmes da Pixar, empatando principalmente com Procurando Nemo que também me marcou muito. Mas acho que o lado dramático da história ajuda a fazer a mensagem desse filme muito mais profunda do que o amor de um pai com um filho, pois o filme fala da vida, de sonhos, de frustrações, de amor, de amizade, de família. Coisas que, creio eu, estão presentes na vida de todos, principalmene na minha. Não foi surpresa quando eu me vi chorando como um bebê na cena em que Carl abre o álbum/diário da mulher e revê toda a sua vida. Me fez olhar a minha vida com outros olhos… E no final, mais uma vez chorei ao ver a amizade de avô e neto que Carl desenvolve com Russel, e que me emocionou muito. Essa foi a primeira vez que chorei em um filme Pixar!

Há coisas que não precisam ser ditas. E esse filme é a prova disso. A profundidade da mensagem da trama vai além do que é mostrado no filme. Qualquer pessoa consegue se identificar com os personagens e realmente acho esse o maior trunfo da Pixar. Todos os seus filmes são para nos passar algo de bom, de positivo, de bonito. Se você ainda não viu esse filme, eu ordeno (sim, isso é uma ordem) que você levante agora de onde quer que esteja sentado e vá procurar o DVD na loja ou locadora mais próxima, já que ele já saiu do cinema. Quando vi no cinema, fiquei alguns dias eufórico com tudo que UP trouxe pra mim em termos de emoção e deslumbramento quanto à qualidade da animação. Mesmo depois de ver várias vezes em casa, ainda me sinto como se estivesse vendo pela primeira vez. E fica a pergunta: Como é possível que a Pixar se supere mais uma vez agora? Esse ano chega Toy Story 3 aos cinemas, e depois Carros 2. Vai demorar um pouco para que tenhamos mais um filme com personagens e tramas novas, mas com certeza, essas continuações serão ainda melhores que os primeiros. Afinal, estamos falando da Pixar, dos seus gênios e de seu irresitível poder de atrair qualquer um para mundos onde aventuras, como UP, se tornam muito mais que aventuras…

Avatar



Em 1997, James Cameron surpreendeu o mundo com o polêmico e, na minha opinião, estonteante Titanic. O filme, que ultrapassou o orçamento previsto na época gerou tanta expectativa que, ao ser lançado nos cinemas, se tornou a maior bilheteria da história, cargo que assume até hoje. Porém, doze anos após Titanic, James Cameron nos oferece algo muito mais inovador e incrível do que um navio afundando. Em Avatar, ele nos leva a um planeta chamado Pandora, totalmente criado pela sua imaginação. Em pleno século XXII, quando os humanos - em sua já conhecida procura por poder e ganância – invadem o planeta alienígena em busca de um valioso mineral, a existência do povo nativo do lugar, os Na’Vi é ameaçada. No meio dessa guerra, chega ao planeta o jovem Jake, fuzileiro naval que recebe a missão de controlar um Avatar, corpo Na’Vi feito para ele, se socializar com o povo e negociar a mudança deles do local onde vivem. Porém, caberá a Jake decidir qual lado é o certo: o dos humanos com sua sede de poder, ou o dos Na’vi, defendendo o seu planeta. Pode parecer um tema já batido (quem não se lembra de Pocahontas, mudando a forma de pensar de John Smith?), mas Avatar vai muito além do que isso.

O filme, que demorou quase uma década para ser produzido, chega para revolucionar a história do cinema. James Cameron criou toda uma nova teconologia ao fazê-lo, incluindo câmeras montadas do zero. A captura dos movimentos dos atores para dar vida aos seus respectivos Na’Vi foi o primeiro passo para uma enorme pesquisa em busca de novidades para a criação de seres perfeitos, digitalmente falando. E James Cameron, através do maior orçamento da história do cinema (500 milhões de dólares), consegue isso com maestria. O povo nativo de Pandora parece extremamente real - até a lágrima da personagem de Zoë Saldana é como se fosse a de um humano – e, depois que a trama se desenvolve mais, nos envolvemos com seus dramas e com seu mundo, ao ponto de nos abalarmos com cada Na’Vi, ou árvore de Pandora que morre.

Aliás, falando de Pandora, o mundo criado por JC (James Cameron) praticamente tem vida própria. A forma como ele imaginou o mundo e a forma como ele funciona é genial e extremamente poética! Não tem como não se fascinar com Eywa, a entidade que o povo idolatra na história e que na verdade é uma espécie de grande “sistema” responsável pela vida e equilíbrio de todo o planeta. Nas telas, cada planta, árvore, criatura ou flor psicodélica parece extremamente real e viva, como se tivesse sido realmente filmada ao vivo, e não criada por um computador. A longa rede de ligações que liga toda a forma de vida no planeta é uma forma de criar uma religião com um forte tom de ciência. Essa é uma, das muitas críticas que percebemos durante o filme e direcionada diretamente para que pensemos mais sobre a nossa realidade.

O Coronel Quaritch, uma espécie de Hitler bruto e sem escrúpulos, já tem seu lugar garantido como um dos maiores vilões dos útimos anos. Sua presença representa - diretamente – a raça humana que conhecemos hoje, capaz de destruir qualquer coisa no seu caminho para conseguir o que quer. E é exatamente isso que ele faz. A primeira metade do (longo) filme é basicamente tudo o que você já viu nos trailers exibidos massivamente nos cinemas, mas de forma melhor explicada. Porém, depois da metade, a quantidade de reviravoltas e eventos incríveis na trama faz o filme se tornar extremamente empolgante. Poucos filmes nos últimos anos conseguiram me prender e me cativar tanto quanto Avatar conseguiu.

Avatar é um projeto que muitos estavam dizendo não apresentar nenhuma novidade, devido ao seu longo tempo de produção, mas traz ao público algo muito mais inovador do que qualquer um poderia imaginar. A questão é, como assistir ao filme? Em algumas cidades, o filme tem sido exibido de 4 formas diferentes: Legendada ou Dublada e em 3D ou 2D. Quando assisti, vi o filme Dublado, na versão em 3D. Posso dizer que achei tudo perfeito, inclusive a dublagem! A direção de dublagem feita pelo dublador Guilherme Briggs foi perfeita e convence o espectador. Até a língua e sons nativos são dublados com maestria. Sugiro que se assista ao filme - pelo menos na primeira vez, porque você vai querer ver de novo - dublado devido à enorme quantidade de efeitos, que tomam grande parte da tela. Com as legendas, a atenção ficaria dividida entre a ação e as falas, o que faz muita gente perder detalhes interessantes das cenas.

Porém a questão não é se é devemos assistir Dublado ou Legendado. A grande dúvida é se o melhor é assistir em 3D estereoscópico ou em 2D, como um filme qualquer. Eu vi em 3D e posso dizer que é a forma mais recomendável para se ver o filme. A sensação de profundidade que sentimos é de um realismo que nunca vi em nenhum 3D até hoje! Até os pequenos insetos da selva parecem estar na sala do cinema, bem na sua frente. Em muitas cidades, ainda não está disponível salas de cinema com essa tecnologia. Para quem mora nessas cidades, recomendo que assistam o filme em 2D mesmo! Soube que a quantidade de detalhes e variação de cores (realmente é bem forte) são ainda mais intensos, já que o óculos diminui um pouco o colorido das imagens. Então cabe a cada um decidir a melhor forma de se ver o filme.

Avatar, com certeza, já chegou fazendo história. Em dez dias conseguiu 650 milhões de dólares no mundo todo. Bilheteria que a maioria dos filme demoram mais de dois meses para conseguir, e mesmo assim, muitos não conseguem. James Cameron, através de mais um projeto gigantesco, altamente caro e surreal conseguiu criar um dos grandes candidatos ao Oscar desse ano, sem falar no possível substituto de Titanic como maior bilheteria da história. Nada demais vindo do “rei do mundo”. Resta saber o que mais ele falta nos trazer, agora que - além de uma possível franquia em mãos - está livre para inventar algo ainda maior do que um planeta chamado Pandora.