domingo, 11 de setembro de 2011

Clássicos na Crítica: O Rei Leão

Olhe para dentro de você. Você é muito mais do que pensa que é. Você tem que ocupar o seu lugar no ciclo da vida. Lembre-se de quem você é. Você é meu filho e o verdadeiro rei. Lembre-se de quem você é. Lembre-se...

"Livre pra poder viver,
Pra fazer o que quiser.
(...)
E o que eu quero mais é ser rei!"

Expressar em palavras minhas opiniões, sentimentos e interpretações sobre O Rei Leão é algo, inicialmente, muito difícil para mim, portanto esse Clássicos na Crítica virá com um tom muito mais pessoal. Quando o filme chegou aos cinemas pela primeira vez em 1994 eu tinha menos de três anos, mas mesmo assim, tive a honra de ter O Rei Leão como meu primeiro filme no cinema. Não lembro de nada daquele dia, só soube disso porque minha mãe me contou, mas de alguma forma tenho na memória a imagem perfeita de uma tela de cinema com Simba correndo no deserto rumo à Pedra do Rei. É algo que nunca apaguei da mente. Eu não sabia, mas a história de Simba era um espelho do que a minha própria vida traria para mim nesse grande ciclo sem fim no qual fazemos parte. Não é a toa que, desde pequeno, O Rei Leão é, entre animações e live-actions, entre musicais e filmes de fantasia, o meu longa metragem favorito.

O filme conta a história do pequeno leão Simba que sonha com o dia em que irá se tornar rei, herdando o trono de Mufasa, seu pai e atual rei da Pedra do Rei. Apesar de corajoso, Simba é cheio de dúvidas e temores e vive sob a sombra de seu pai, esperando um dia ser um grande rei como ele. Ao ver suas chances de se tornar rei eliminadas por causa do nascimento de Simba, Scar, irmão de Mufasa, arma uma maquiavélica trama para tirar o irmão e o sobrinho de seu caminho. Ao se ver culpado pela trágica morte de Mufasa, Simba foge das Terras do Reino e encontra em seu caminho dois grande amigos, um javali chamado Pumba e um suricate chamado Timão, que lhe ensinam uma nova filosofia de vida para esquecer seus problemas (Hakuna Matata). Porém, anos mais tarde, Simba encontra Nala, sua velha amiga de infância, e se vê em uma encruzilhada: enfrentar o passado e assumir suas responsabilidades como verdadeiro rei ou esquecer tudo e continuar a viver sua vida “sem problemas”.

Através uma trilha sonora contagiante e épica composta pelo talentosíssimo Hans Zimmer e com canções inesquecíveis compostas por Elton John e Tim Rice , acompanhamos a história de Simba através de músicas como O Ciclo Sem Fim, que abre o filme de forma épica, O Que Eu Quero Mais É Ser Rei, que ilustra perfeitamente a personalidade brincalhona e sonhadora do pequeno leão, e, é claro, Hakuna Matata, que se tornou a música mais famosa entre crianças e adultos ao ilustrar a filosofia de vida de Timão e Pumba. Destaco também Se Preparem que, na minha opinião, é a melhor música de vilão que a Disney já fez. Extremamente maliciosa, Scar deixa claro que não está para brincadeira e faz o expectador de primeira viagem ansiar e temer pelo grande “plano do século” contra Mufasa e Simba.

Por falar em Scar, que vilão da Disney conseguiu superar sua perversidade até hoje? O irmão do grande rei, tomado pela inveja e sede de poder, é capaz de armar um complexo plano com a ajuda das hilárias, porém malvadas, hienas, para matar o próprio irmão e sobrinho. Como o próprio Scar confessa no início do filme, ele não possui nenhuma força muscular, mas sua inteligência, malícia e lábia são o suficiente para conseguir tirar todos de seu caminho até o trono. A morte de Mufasa choca e emociona até hoje até mesmo os fãs que já assistiram ao filme milhares de vezes. Eu mesmo não pude deixar de me emocionar ao ver o pequeno Simba chorando e implorando pro falecido pai acordar depois da épica e tensa cena da debandada da manada. Uma curiosidade interessante é que a morte de Mufasa é a primeira morte que realmente é mostrada ao expectador dos filmes Disney. Antes, a morte era retratada de forma indireta ou metafórica, como a morte da mãe de Bambi.

O Rei Leão está cheio de cenas icônicas. Desde as impactantes abertura e cena final, que dispensam comentários devido à sua beleza musical e poética, até Hakuna Matata, que faz todo mundo cantar junto com o filme, ou a cena em que Mufasa mostra o futuro reino de Simba ou explica ao filho sobre a morte usando a metáfora dos reis que vivem sob a forma de estrelas. Sou suspeito pra falar, mas acho todo o filme memorável. Não existe uma única cena que não seja marcante ou inesquecível.

A qualidade da animação também merece destaque. As cores vivas e alegres do filme saltam aos olhos do expectador durante toda a história, desde os momentos de alegria e música até as cenas mais sombrias com Scar ou no clímax por exemplo. Outro fator interessante é que, depois de Bambi, O Rei Leão é o primeiro filme a retratar os animais de acordo com sua forma física real (diferente do que foi feito em Robin Hood, por exemplo), além da rotina dos personagens, muito relacionada com a realidade dos animais de verdade.

Que o filme é incrível, todo mundo já sabe, mas algo novo foi apresentado ao público com o relançamento de O Rei Leão nos cinemas: o 3D. O filme foi convertido para a terceira dimensão para atrair mais público e propiciar uma nova experiência aos que já conheciam o longa. Por mais que eu seja fã, achei que poderia ter sido bem melhor. O 3D escurece muito as cores vívidas do filme e em vários momentos, os personagens e alguns elementos de cena saem de foco (reparem nas cenas em que os personagens ou cenários tremem, como as hienas e as pedras em Se Preparem). Tirando algumas poucas cenas onde o 3D realmente impressiona, como Zazu voando rumo à Pedra do Rei em O Ciclo Sem Fim, ou Scar pulando em nossa direção durante o duelo final com Simba, a terceira dimensão se resume a um leve toque de profundidade em alguns momentos do filme.

Também esperava um pouco mais da potência do som. Não sei exatamente se foi problema só na cópia que veio para minha cidade, mas o som não estava na potência que o cinema é capaz de atingir. E não era problema na sala, pois os trailers e até mesmo a propaganda do Disney Digital 3D estavam com o som perfeitos. Mas o filme estava mais baixo e até mesmo uma faixa de áudio não estava sendo reproduzida, causando até a “omissão” de algumas falas e sons do filme que, por eu ser fã, sabia que estavam lá. Isso não prejudicou totalmente a experiência. Por mais que não estivesse inteiramente potente, ver O Ciclo Sem Fim em um cinema foi algo de arrepiar.

Se comparado aos outros clássicos Disney, O Rei Leão tem a história que mais foge do estereótipo de “princesa/donzela indefesa que é vítima de uma trama maligna e é salva pelo heróico príncipe para viverem felizes para sempre”. Apesar de ter a presença do vilão que arma contra o mocinho, de existir o romance entre o mocinho e a mocinha e de tudo terminar bem no final, O Rei Leão nada mais é do que um filme sobre a jornada interna de um herói cheio de dúvidas, medos e questionamentos sobre a vida e sua personalidade.

A própria abertura do filme já é um exemplo do quão profundo e metafórico é o filme. Toda a história e processo de amadurecimento de Simba, nada mais é do que apenas uma parte do grande ciclo da vida que é representado no longa. Aspectos da personalidade, trama e atitudes dos personagens servem como um grande exemplo para nós, expectadores. Talvez esse lado mais filosófico da história venha da clara influência que o filme tem da obra de Shakespeare, Hamlet. O que importa é que O Rei Leão é um filme que nos leva a refletir sobre nós mesmos e sobre nossas vidas.

O filme trata de amizade através da lealdade de Timão e Pumba, de amor, através de Nala, e de superação e amadurecimento através de Simba. Mas um tema muito interessante presente na trama é a relação pai x filho que Mufasa tem com Simba. Eles, acima de tudo, são dois amigos, que confiam suas alegrias e medos um com o outro. É o tipo de relação que deveria existir em todas as famílias. Vejo muito de meu pai em Mufasa, que faz de tudo para proteger e educar seu filho da melhor forma possível. Seu caráter íntegro e seus valores são muito parecidos. Meu pai não é nenhum rei em termos financeiros ou políticos. Mas, apesar de eu não demonstrar muito essa minha admiração, vejo meu pai como um pai tão incrível quanto Mufasa foi para Simba. Talvez por isso eu me emocione tanto com a morte de Mufasa e me identifique com Simba.

Apesar de ser teimoso, ansioso, brincalhão e até um pouco hiperativo, Simba demonstra sentir o medo de não conseguir se tornar o grande rei que seu pai é. Isso fica claro na singela cena em que ele encara a pegada de Mufasa e compara com a própria pata, ainda pequena. Por sua inocência, o pequeno leão cai na armadilha de Scar, vê o próprio pai morrer e, desesperado, foge de seu reino para logo depois encontrar Timão e Pumba. E não é nenhuma surpresa quando Simba aceita o modo de vida da dupla de amigos. Após o trauma da morte do pai e da culpa interna que ele sente por isso, esquecer o passado é tudo que ele poderia querer.

É preciso um reencontro quase espiritual com o falecido pai (e aqui ressalto ainda mais a importância da relação de pai x filho de Mufasa e Simba) para Simba se lembrar de suas reais responsabilidades e deveres como rei e filho de Mufasa e aprender, com a ajuda do sábio babuíno Rafikki, que não devemos fugir do passado e de seus problemas, mas sim aprender com eles para termos um futuro melhor.

Quantas vezes na vida buscamos o caminho mais fácil e fugimos de nossos problemas e responsabilidades simplesmente porque eles são difíceis ou dolorosos demais para serem enfrentados? Quantos de nós tivemos ou temos medo de crescer e defender o nosso próprio reino? Todos esses questionamentos que a história de Simba levanta foram um retrato de muitos momentos e fases da minha vida. Eu sempre me identifiquei com Simba: desde pequeno, com seu modo de viver brincando e buscando sempre algo novo, até mais velho, com medo de assumir suas responsabilidades e sua própria vida. Eu passei por todas as fases de aprendizado e amadurecimento que Simba passou, e seria prepotente se disse que já amadureci como ele. Eu ainda sou Simba. E ainda estou aprendendo meu lugar no ciclo da vida. Tenho certeza que a mesma coisa acontece com muitos de vocês.

Depois de 17 anos desde que vi O Rei Leão pela primeira vez na minha primeira sessão de cinema da vida, já tive muitas interpretações diferentes desse filme. Mas ele nunca deixou de ser meu favorito e muito menos deixou de ser importante na formação do meu caráter e na minha forma de pensar e agir. E agora, com 19 anos, reviver a experiência de assistir ao grande ciclo da vida nos cinemas é como reviver e repensar minha própria vida. É rever grandes amigos como Timão e Pumba. É admirar grandes reis como Mufasa. É aprender com Simba. É jamais esquecer quem eu sou. E principalmente jamais esquecer que eu, você, todos nós, temos um papel nesse grande ciclo sem fim.

"Até encontrar
O nosso caminho.
Neste ciclo...
Neste ciclo sem fim."

Crítica publicada no dia 27 de agosto de 2011 no site Disney Mania.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Lanterna Verde


Acabei de chegar da pré-estréia de Lanterna Verde e vou deixar alguns comentários a seguir sobre o filme. Olha, o longa é melhor do que eu esperava, mas pior do que poderia ser. Faltou alguma coisa para o filme me fazer sentir a empolgação que senti vendo - usando filmes de heróis mais recentes - Homem de Ferro ou Thor, por exemplo. Claro que são universos e estúdios (Marvel X DC) diferentes, mas se você levar em conta as fórmulas comuns nos filmes de heróis, Lanterna Verde não inova. Ele consegue ser bom ao executar a receita do bolo, mas faltou saber fazer a cobertura e botar a cereja em cima para dar aquele toque especial.
Talvez a culpa tenha sido do diretor Martin Campbell que apesar de dirigir bem, comete alguns deslizes no ritmo e na montagem de algumas cenas. Ou talvez a culpa seja do roteiro. Não sei. Por não ser nenhum conhecedor do universo e das histórias do Lanterna, não posso afirmar com certeza se a produção não quis inovar ou se a própria história de Hal Jordan é previsível. O filme tem momentos de humor um tanto quanto bobos e o romance do Hal com a Carol foi tratado de forma confusa e um tanto quanto entediante na minha opinião. Sinto falta de histórias de romance como a de Peter Parker e Mary J., por exemplo. Carol não consegue chamar a menor atenção para si em termos de personalidade. Achei uma mocinha fraca, porém lindíssima, devo dizer...
Apesar desses contras, me surpreendi com o drama e a história por trás do Hal Jordan. Sempre achei que Ryan Reynolds não servia para um papel sério como o de um super herói. Quando olho para a cara dele, só penso em filmes de comédia. Porém ele fez um trabalho um pouco melhor nesse filme em termos de drama, já que Hal tem todo um caminho de superação interior para percorrer durante a trama, o que exigiu um pouco mais do Reynolds na hora de atuar. Mesmo assim, devo dizer que o Lanterna Verde dele tem vários momentos cômicos, porém forçados, algo que na minha opinião é herança de seus trabalhos anteriores em filmes de comédia.




Quanto ao 3D, achei dispensável, apesar de funcionar bem em várias cenas, principalmente nas que abusam dos efeitos especiais, logo no início do filme. Poderia ser melhor já que o longa tem muitas cenas de voo e de ação no ar. Se o 3D fosse melhor trabalhado nessas partes, o resultado seria muito mais satisfatório. Mas vai de cada um. Se você é fã do Lanterna, recomendo ver em 3D. Vai ser no mínimo mais divertido ver o anel saindo da tela e coisas do tipo...
Quanto aos efeitos, eu odeio dizer isso, mas eu estava certo: A maioria das coisas possuem tons muito artificiais, principalmente em Oa. Achei difícil acreditar que algumas coisas criadas por CGI realmente eram sólidas e verdadeiras no filme. Porém depois de um tempo de exibição, você se acostuma e esquece esse ponto negativo. Quando chega no clímax, você já está achando que tudo é real e pronto. Deve ser algum tipo de aceitação do nosso inconsciente, sei lá. Mesmo assim, todo o design de Oa é legal e realmente bonito de se ver. Mas ainda prefiro Asgard, que conseguiu transparecer mais realidade do que o planeta de origem dos Lanternas Verdes.
Gostei muito do vilão, apesar de achar muito parecido com o Galactus de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado. Parallax em alguns momentos até me fez sentir um frio na espinha com aquela cara medonha de quem vai consumir sua alma através do medo. E a sua origem também é muito interessante, já que mostra que o medo pode corromper qualquer um, inclusive um Lanterna Verde (vide cena inter-créditos... #ficadica).
Outro ponto positivo foi a clareza na explicação de todo o universo da trama, desde o funcionamento do anel do Lanterna Verde até a criação e funcionamento de Oa. Não fiquei confuso em momento algum do filme. Pelo contrário, saí doido pra achar um anel daquele pra mim!
Enfim, gostei de Lanterna Verde. Volto a repetir que Hal Jordan nunca atraiu minha atenção, já que ele é um dos heróis que eu sempre achei brega demais pra me interessar e procurar ler suas histórias, por isso, se falei alguma besteira, me perdoem. Desculpem também comparar os universos da Marvel e da DC, mas são esses os concorrentes do Lanterna atualmente, portanto achei interessante trazer essa discussão para o texto. Se você gosta de filme de herói, vá ver Lanterna Verde. Apesar de não ser extraordinário, o filme é uma ótima ferramenta de entretenimento e serve ao seu propósito. Não tenha medo de assistir. Você vai pelo menos se divertir por duas horas, é só ter força de vontade... ;)


"No dia mais claro,
Na noite mais densa,
O mal sucumbirá ante a minha presença.
Quem venera o mal tudo perde
Frente ao poder do Lanterna Verde!"

terça-feira, 26 de julho de 2011

Penseira - Eu, Harry Potter, e as Relíquias da Morte


Acabei de chegar da minha quarta sessão de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2. Acho que comentários sobre o filme são dispensáveis, né? Todos que já viram sabem que é um primor em termos cinematográficos e como adaptação, e sem dúvida é o final perfeito para a série. Mas estou aqui para fazer um pequeno comentário sobre essa sessão de hoje, onde assisti ao filme na companhia dos meus pais e da minha avó.


Desde o primeiro filme eu os-levo para as estréias de Harry Potter nos cinemas. Era quase como um ritual anual. Tem filme novo de Harry Potter esse ano? Então estaremos lá, no primeiro lugar da fila! Fazia meus pais chegaram mais de duas horas antes da sessão que íamos pegar, só pra garantir um bom lugar. Eu era o tipo de criança que ficava sem dormir na véspera das estréias, tamanha era minha ansiedade para chegar logo ao cinema e assistir mais um filme da série. Mesmo depois de ter passado pela adolescência, jamais perdi esse furor de espera por qualquer coisa relacionada à Harry Potter. E, mesmo com as reclamações, comentários maldosos e brincadeiras, principalmente nos últimos filmes, eu sempre empurrava meus pais para todas as estréias. Não que eles não gostassem. Eu sabia que a diversão deles era exatamente tirar sarro da história e das situações fantasiosas dos filmes. Enquanto os dois reclamavam e criticavam, minha vó era sempre aquela que estava ali para apoiar minha paixão e felicidade com o filme que estava sendo exibido nas telas. Era ela que sempre comentava os filmes comigo, fazia questão de ver todos, de ir para as estréias comigo, de enfrentar filas e tudo o mais. Era óbvio que ela não entendia praticamente nada do que os longas falavam, mas mesmo assim ela saia das sessões empolgada e sempre perguntando quando sairia o próximo. Porém toda essa ansiedade, essa espera e expectativa não irá jamais se repetir. Não haverão mais estréias. Eu não vou mais ver meus pais criticando o filme e minha mãe gritando no cinema "Réuri Póter!". Não vou mais ver minha vó ansiosa pelo próximo filme. Eu mesmo não vou ter mais o que esperar.


Assistir Harry Potter pela última vez hoje com eles foi algo especial e único pra mim. Foi como fechar um ciclo. Melhor ainda foi ver que eles não estavam achando o filme chato, como sempre achavam. Eles adoraram! E isso foi o melhor presente que eu poderia ganhar. Apesar de não gostarem do fato de eu ainda ser fã da série, percebi que eles entenderam pelo menos um pouco da grande e real história que tanto tentei fazer eles absorverem durante todos esses anos. Percebi que eles entenderam o que me fez me apaixonar por aqueles sete livros. E isso me fez muito feliz. A situação só piorou quando minha vó comentou logo depois do final do filme: "Poxa, ano que vem não tem mais... Vou sentir saudade...". Aquilo partiu meu coração. Não só pela saudade que vou ter dos filmes, dos personagens, dos livros e da história, mas também daqueles momentos com minha família, quando eu podia compartilhar algo que eu amo com eles. Assim como eu, percebi que minha vó também vai sentir saudades das estréias, das filas, da espera pelos próximos filmes. Já enumerei várias coisas boas que Harry Potter me trouxe, mas esses momentos realmente vão me fazer muita falta. Mas não é porque eles não vão se repetir que eu vou esquecê-los não é mesmo? Assim como vou levar para sempre dentro de mim as amizades, lições, lágrimas e sorrisos que os livros e filmes me trouxeram, eu também nunca vou esquecer da empolgação da minha vó a cada filme, das brincadeiras e comentários de meus pais e do apoio que eles, da forma deles, tentaram me dar durante todos esses anos.


Na minha opinião, a palavra que define Relíquias da Morte Parte 2 é "Sempre". É isso que Snape diz para Dumbledore quando ele questiona sua lealdade e amor por Lílian. É isso que a própria Lílian fala para Harry quando ele pede que ela fique por perto na hora de sua morte. É isso que Neville fala para Voldemort quando diz que Harry sempre estará dentro de todos nós. "Sempre" é a palavra certa para definir tudo o que a saga Harry Potter representa para mim. As amizades que eu ganhei sempre estarão comigo. Os sorrisos e as lágrimas que soltei sempre estarão comigo. As lições e lembranças que guardei sempre estarão comigo. Os momentos especiais, como as estréias ao lado da minha família, sempre estarão comigo. É esse o real motivo de eu amar tanto essa série. Se não fosse por ela, eu jamais teria tanta coisa boa e bonita dentro de mim para lembrar.
Dumbledore diz para Harry em King's Cross para ele não ter pena dos mortos, e sim ter pena dos vivos, principalmente dos que vivem sem amor. E se tem uma coisa que Harry Potter me trouxe foi amor. Amor de amigos, de família, de palavras, de lembranças. E é isso que vou guardar, sempre, dentro de mim até o momento que eu tenha que pegar meu próprio trem em King's Cross...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Especial Harry Potter - Minha História

É, tá acabando... Harry Potter chega ao seu fim nos cinemas essa semana e, pensando em fazer minha homenagem pessoal à série, decidi escrever um texto sobre a minha relação com a saga. Vou tentar resumir um pouco minhas histórias, o que ganhei e o que aprendi com essa série tão marcante em minha vida. Espero que você, fã ou não, goste, se divirta, se emocione e se identifique. É a melhor forma que encontrei de expressar meu amor pela história desse "bruxinho" com o qual eu tive o prazer e a honra de acompanhar até o derradeiro fim...
Eu nunca fui um garoto muito dedicado à leitura. Pelo contrário, ganhar de presente um livro tanto no meu aniversário quanto em outras datas festivas era algo totalmente frustrante. Lembro que, em um dos meus aniversários, ganhei O Pequeno Príncipe de minha vó, acompanhado de um lindo conselho de que deveria lê-lo e refletir como minhas inseguranças, dúvidas e pensamentos podiam ser comparados aos dele. E eu não dei a mínima para o livro. Portanto não me julguem, mas a mesma coisa aconteceu quando eu tive meu primeiro contato com Harry Potter.
Foi no natal de 2000. Eu tinha 9 anos. Toda a família estava reunida na casa do meu tio na noite de natal, como de costume. Eu tenho três primos da mesma idade que eu, então nesse tipo de festa familiar nós éramos o centro das atenções e, é claro, dos presentes. E como toda criança que se preze, nós sempre esperávamos brinquedos e coisas legais dos nossos tios, avós e pais. Imagine a decepção que nós tivemos ao ver que nosso tio tinha dado um livro para cada um de nós! Meu primo ganhou um livro sobre grande invenções do mundo. Minhas duas primas ganharam um tal de Harry Potter e alguma coisa, só que cada um tinha um sub-título diferente. Quando abri o meu, vi que eu também tinha ganhado um livro daquele Harry Potter. Agradeci educadamente e fui brincar com os brinquedos que eu tinha ganhado dos outros familiares.
O tal do livro do Harry Potter ficou intocado na minha estante por um mês e meio mais ou menos, até eu, no ápice de uma crise de tédio típica das férias, resolvi pegá-lo para ler pelo menos o comecinho e passar um pouco o tempo. Eu não sabia nem pronunciar direito o título, mas foi assim que li Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban pela primeira vez e tive meu primeiro contato com a série de J.K. Rowling. Uma semana depois eu já tinha acabado o livro. Um recorde, se levarmos em conta que eu demorei quase dois meses pra ler O Pequeno Príncipe, que é muito mais curto. Eu ainda não conhecia a ideia de uma série de livros, então fui procurar saber e descobri que Harry Potter era uma série com três livros publicados até aquele momento, e eu tinha o terceiro e mais recente. Pedi logo os livros (também intocados) que minhas primas também tinham ganhado de natal emprestado e foi assim que li Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta. Pouco tempo depois comprei meus próprios exemplares de cada um. Já estava claro que eu estava me tornando um fã da série e que aquilo estava se tornando algo importante pra mim.


A partir daí passei a acompanhar as novidades sobre a saga de forma quase compulsiva. Lembro que ficava horas e horas rezando pra que a minha internet discada conectasse pra eu poder, pelo menos por alguns minutos, ler alguma novidade ou salvar alguma imagem legal sobre a série no computador antes que a conexão caísse novamente. Ficava louco em busca de rumores sobre os títulos dos próximos livros, sobre as teorias e idéias que os fãs tinham sobre o futuro da história. Apesar de nunca participar de forma ativa de fóruns e páginas de discussão sobre a série, eu sempre estava ali, lendo tudo que todos escreviam, refletindo e criando minha própria opinião. Sem mesmo saber o que era uma fan-fic, lembro que escrevi uma pequena e ridícula fic chamada Harry Potter e o Mistério do Natal. O "livro" não passava de uns dez capítulos com umas quatro páginas cada, escrito à mão em folhas de caderno e com a capa desenhada por mim. Não lembro de muita coisa, mas lembro que Harry voltava no tempo de um jeito muito semelhante à experiência de se usar uma penseira nos livros, e assistia a cena do natal em que seus pais foram assassinados...
A partir da chegada de Harry Potter e o Cálice de Fogo às prateleiras, passei a comprar os livros religiosamente no dia de lançamento no Brasil e devorá-los em questão de poucos dias. Eu fazia de tudo para ser o primeiro a chegar na livraria para comprar o meu. Lembro que obriguei minha mãe a sair quase de madrugada de casa num sábado só para a gente chegar cedo na Siciliano e comprar meu exemplar de Harry Potter e a Ordem da Fênix antes que todos acabassem. Quando chegamos na livraria não tinha quase ninguém lá para comprar e a livraria estava com uma montanha (literalmente) de livros dando sopa. Ela quase me mata!
Aos poucos minha fome pela leitura não aguentou mais se alimentar apenas de Harry Potter, apesar de ser meu prato preferido até hoje... Foram nesses hiatos entre um livro e outro, entre uma releitura e outra, que passei a procurar outros livros para ler e novos mundos para explorar. Minha mãe me deu de presente A Ilha Perdida, da Maria José Dupré, e eu me interessei muito pela história. A partir daí descobri que maravilha era a biblioteca da minha escola. Se antes eu achava aquele o lugar mais chato e inútil de todo o colégio, agora eu contava as horas para o intervalo chegar e eu poder passar o recreio lá procurando novos livros para ler. Me tornei amigo da bibliotecária que recomendava muito livros interessantes, em sua maioria literatura infanto-juvenil brasileira. Li muito Pedro Bandeira e outros atores desse estilo, sempre procurando livros com essa fórmula de mistérios e aventuras, tão presente nos livros de J.K. Rowling.
Lembro que Harry Potter já havia chegado aos cinemas nessa época e já tinha se tornado uma febre entre as crianças que só passaram a conhecer a história através do filme. Eu mesmo fui responsável por apresentar a série para toda minha turma de terceira série. Nossa professora também estava lendo e adorando os livros e a gente conversava muito sobre a história e nossas partes favoritas. Ela até chegou a ler algumas partes de A Pedra Filosofal para a nossa turma e me acobertou quando eu menti para a turma toda dizendo que tinha médico para ir e por isso iria faltar aula. A verdade? Estava indo para a estréia de Harry Potter e a Pedra Filosofal nos cinemas.
Era fato que eu tinha mudado. Aquele menino que não se interessava por livros, que rejeitava qualquer coisa que tivesse letras demais e imagens de menos tinha se tornado um garoto totalmente diferente. Minhas notas melhoraram consideravelmente em redação e português. Meu desempenho escolar no geral melhorou e até minha habilidade de leitura foi aprimorada. Lembro que muitos colegas meus, quando tinham que ler algo em voz alta, demoravam horrores e tinham muita dificuldade para fazê-lo, ao contrário de mim, que lia tudo rápido, com as pontuações e entonações pronunciadas de forma correta. Sem perceber, Harry Potter mudou meu modo de ser e agir também como estudante.


Aos poucos fui crescendo e entrando na pré-adolescência e, junto comigo, vi Harry amadurecer também. Aqueles personagens passaram a servir de exemplo para mim. Se tornaram meus amigos mais íntimos. Em momentos de tristeza e problemas, Hogwarts era sempre meu refúgio, meu segundo lar. Palavras como as de Dumbledore em A Câmara Secreta significam mais do que sentimentalismo barato para mim. Hogwarts SEMPRE me ajudou quando eu recorri a ela. Seja jogando quadribol, seguindo as aranhas, voltando no tempo ou enfrentando um dragão, eu sempre podia entrar nesse mundo literalmente mágico e me sentir feliz, seguro e completo. Era um sentimento tão forte que ao completar os meus 11 anos, esperei receber minha carta de Hogwarts. Minha vontade era largar tudo e ir para aquele castelo em algum lugar da Inglaterra para viver aventuras tão legais quanto às de Harry e conhecer amigos tão incríveis quanto Harry Potter.
Com o passar do tempo e com o aumento da cobrança externa por responsabilidade, passei a perder um pouco daquela obsessão fanática que sentia pela série. Meu amor continuava o mesmo, só que controlado. A própria saga foi se tornando mais madura, adulta e sombria, quase que como um espelho da minha adolescência. Eu já interpretava de forma muito mais profunda toda a história de Harry. Tentava entender mais sobre cada personagem, seus sentimentos e modos de agir. Com minha evolução intelectual, passei a me interessar pelo inglês, e Harry Potter me ajudou nisso. Por ler, ouvir e ver muita coisa em inglês por causa da saga, vi meu inglês melhorar muito, assim como minha facilidade de aprender outras línguas. Enigma do Príncipe e Relíquias da Morte foram os dois primeiros livros que li em inglês sem ajuda de dicionários ou coisa do tipo.
Além dos livros, Harry Potter havia se tornado um fenômeno também nas telonas. Os filmes faziam milhares de fãs irem para os cinemas fantasiados para assistir a primeira sessão possível do filme mais recente. Eu, com meu excesso de ansiedade, chegava sempre uma sessão antes da que eu ia pegar e era o primeiro da fila. Fazia meus pais esperarem mais de duas horas pra ver o filme, mas valia a pena. Raramente meus pais entendiam a história, culpa dos roteiros, quase nunca favorecendo o público que não leu os livros. Minha vó também sempre foi para todas a estréia conosco. Apesar de cochilar boa parte do filme e não entender nadinha, era sempre ela que me incentivava a ir, assistir e ler os livros. E era sempre ela que saia da sessão e, enquanto meus pais reclamavam, virava pra mim e dizia toda empolgada: "Adorei! Quando sai o próximo?" Os filmes se tornaram uma extensão daquilo que minha imaginação já fazia quando eu lia os livros, porém jamais apagando a forma como enxergo aquele mundo e seus personagens.


Mas foi somente sete anos depois de eu ter aberto pela primeira vez um livro de J.K. Rowling que eu percebi o quanto Harry Potter é, e sempre será, importante pra mim. Quando terminei de ler a última página de Relíquias da Morte, uma parte de mim embarcou naquele Expresso de Hogwarts junto com Alvo Severo e nunca mais voltou. Lembro de ter terminado o livro no entardecer, sentado no quiosque do meu condomínio. Voltei pra casa, guardei o livro na estante, sentei na cama e então encarei os sete exemplares de livros enfileirados na minha frente. Todas as lembranças, emoções, palavras, imagens e presentes que a série me trouxe vieram como uma enxurrada para a minha cabeça. E eu chorei. Chorei por mais de uma hora. Chorei até meu corpo não conseguir mais produzir lágrimas para saciar minha vontade cada vez maior de chorar. Sentia felicidade, tristeza, saudade, paz. Até hoje não sei o que deu em mim naquele dia. Não sei descrever muito bem. Só sei que foi especial e muito forte.
Muita gente pode não entender tamanha paixão por algo que originalmente é uma série para crianças. Eu não ligo. Meus próprios pais não gostam que eu ainda seja um fã tão grande de Harry Potter. Limitados apenas pelo o que viram nos filmes, eles vêm a série como algo fútil, sem nada a acrescentar e extremamente infantil, chegando a tomar certas atitudes um tanto quanto absurdas apenas para tentar diminuir meu interesse por tudo isso. Inúmeras foram minhas tentativas de apresentar a "verdadeira" história para eles. Hoje simplesmente evito dividir com eles meus momentos de felicidade, emoção e ansiedade por notícias relacionadas à saga. Uma pena que eles não se lembrem o quanto Harry Potter me fez bem durante o meu desenvolvimento na infância e adolescência.
Em compensação, depois que descobri todo um mundo de fãs pela internet, fiz amizades que, apesar de serem em sua maioria virtuais, são muito importantes para mim. Como comentei, nunca fui muito ativo em fóruns, comunidades e coisas do tipo sobre a série na internet, mas com o pouco que pude participar do Potterish e Potter Heaven, por exemplo, tive o prazer de conhecer pessoas de outros estados e países que compartilham da mesma paixão que eu. Pessoas leais, íntegras, de boa índole e muito, muito incríveis. Vejo todos esses amigos como uma grande família que, apesar de tudo, jamais será desfeita. Os livros podem acabar, os filmes podem acabar, mas a história de Harry sempre estará dentro de nós. Em cada citação, encontro, música, cena, amigos e eventos que lembrarmos. Harry Potter nunca vai acabar.


E agora mais uma vez vou ter que enfrentar outro "final" para a série. Os filmes irão acabar. Aquela sensação gostosa de ansiedade que eu sempre senti com um novo trailer, pôster ou notícia sobre os filmes não se repetirá mais. Eu nunca mais irei pra uma estréia de Harry Potter. Por isso, me permiti cometer uma pequena loucura essa semana e ir para o Rio de Janeiro apenas para a premiere do filme. Nada melhor do que assistir o filme de forma tão especial e ainda com pessoas e amigos de todo país que também irão. Será como um grande encontro para fechar com chave de ouro essa etapa de nossas vidas. Mas só essa etapa. Ainda temos muita coisa aí sobre Harry Potter para esperar, como a expansão do Wizarding World e, é claro, o tão aguardado Pottermore.
Definitivamente essa magia jamais vai acabar dentro de mim. Harry Potter foi um marco na minha vida e tenho orgulho de dizer que ajudou a me tornar a pessoa que eu sou hoje. Talvez se meu tio não tivesse me dado aquele livro no natal de 2000, eu jamais teria vivido, sorrido, chorado e imaginado metade do que vivi, sorri, chorei e imaginei com e por causa de Harry Potter. Por isso me despeço com uma foto especial (que dispensa comentários) de quando tinha cerca de 10 ou 11 anos e com a citação da dedicatória que meu tio fez na minha edição de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, meu livro favorito e que, posso dizer, mudou muito da minha vida...
"Felipe,
através da leitura
nós crescemos, aprendemos
e damos asas à nossa imaginação!"
Esse texto é dedicado a sete pessoas:
Mariana, Otávio, Flávio,
Carol, Raphael, Isa
e a você que, se está lendo isso,
é porque acompanhou, assim como todos nós, Harry até o fim...
E valeu a pena!

Obs: Sintam-se livres para dividir suas próprias experiências, lembranças e momentos marcantes da série também nos comentários! Nada melhor do que compartilhar essas coisas com pessoas que realmente entendem tudo isso!

sábado, 9 de julho de 2011

Dissecando: Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2 Soundtrack


Trilhas sonoras sempre me fascinaram. O poder que a música tem de mudar e manipular o tom de uma cena e até mesmo de um filme inteiro é fascinante para mim. As trilhas de Harry Potter foram as primeiras trilhas sonoras que procurei ouvir na íntegra com a intenção de ouvir apenas o instrumental do filme e elas só aumentaram ainda mais minha paixão por esse hobbie, desde John Williams, passando por Patrick Doyle, Nicholas Hooper e finalmente Alexandre Desplat. A cada novo filme Potter lançado nos cinemas, ficava tão ansioso para ouvir a sua respectiva trilha sonora quanto para ver o filme em si. É por isso que, a poucos dias do lançamento da aguardadíssima conclusão da saga Harry Potter nos cinemas, com o lançamento de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2, resolvi ouvir a última trilha sonora de Harry Potter e deixar minha opinião e impressão pré-filme de cada faixa da mesma. Lembrando que em alguns momentos vou associar a faixa à sua determinada cena do filme, e por isso posso soltar spoilers sobre sua trama. Se você não leu os livros (em que planeta você vive?), recomendo que prossiga com cautela...

Lily's Theme
Deprimente e triste. É assim que descrevo essa faixa de abertura da trilha sonora. Focada principalmente em um coro feminino, a música me passa uma forte sensação de perda, tristeza e saudade. O vocal feminino só potencializa meus sentimentos, já que é uma característica em trilhas sonoras que me agrada muito. O tom é obscuro, e Desplat usa de forma delicada o violino que dá continuidade às emoções transmitidas pela voz lírica do início da faixa. Não é muito longa, mas abre de forma espetacular a trilha sonora, mostrando que o que vem pela frente, no caso do filme, é algo triste, nostálgico e imprevisível.

The Tunnel
A mudança de tom é brusca. Passamos da sutileza, delicadeza e sentimentalismo da faixa de abertura para uma faixa poderosa com altos tons de violinos e uma percussão forte que indicam claramente uma cena de ação memorável. Ao comparar com o livro, não consigo imaginar em qual cena essa faixa será usada, já que entre as cenas do Chalé das Conchas e a invasão de Gringotes não há nenhuma cena de ação que nos leve a algum tunel. Pensei que ela poderia ser usada durante a fuga do banco, já que perto do final ela diminui seu tom urgente de forma brusca, nos fazendo pensar em algo que está caindo (pra quem não lembra, no trailer do filme tem uma cena em que o dragão derruba o carrinho de Gringotes e todos caem em um abismo), porém a trilha sonora, aparentemente, está organizada pela ordem cronológica em que as cenas são exibidas no filme, portanto o jeito é esperar para ver em qual cena ela será usada. Apesar de curta, é uma faixa belíssima.

Underworld
Ainda sem saber em qual cena essa faixa se encaixa, Desplat inicia Underworld com um tom de suspense e tensão sempre bem expressado pelo violino pra só depois explodir essa tensão com a urgência da percussão e dos instrumentos de sopro em uma sequência metrada, de tons altos e baixos. Por ser longa, essa faixa parece que vai ser usada em uma grande cena de ação. Apesar de não estar na ordem certa dos fatos, aposto que ela será utilizada durante as cenas no subterrâneo de Gringotes, antes deles saírem do banco nas costas do dragão. Belíssima faixa para uma cena de ação que promete ser de tirar o fôlego.

Gringotts
Apesar de suspeitar que as duas faixas anteriores serão usadas em algum momento após essa, Gringotts é a faixa que vai dar início à grande cena de invasão ao Banco dos Bruxos. E como uma boa cena de invasão no melhor estilo espionagem, ela abusa do suspense para dar o tom ao que está acontecendo no filme. Usando sons de cordas, Desplat passa a sensação de que há algo traiçoeiro sendo tramado e executado durante a música. Provavelmente será usada enquanto o trio entra disfarçado em Gringotes e tenta enganar os duendes.

Dragon Flight
É quase impossível descrever essa faixa. Ela por si só já valia uma análise do tamanho de um texto. Claramente composta para a cena de voo do dragão, enquanto o trio foge de Gringotes, essa música possui tons muito fortes do estilo e jeito de compor de John Williams. Sua marca é tão forte que, em certo ponto, penso estar ouvindo a trilha sonora de filmes como Jurassic Park e E.T., pois Desplat usa os instrumentos de sopro com a mesma magnitude que John Williams gosta tanto de fazer. É de longe a melhor faixa do álbum até agora e promete melhorar ainda mais quando executada durante o filme. É também a primeira faixa a utilizar um tema dos filmes anteriores. Nesse caso, parte de Hedwige's Theme é tocada no meio da música, porém com tons modificados.

Neville
Essa com certeza é a música usada na  cena em que Harry, Rony e Hermione chegam em Hogwarts e encontram a Armada de Dumbledore escondida na Sala Precisa. Apesar de começar de forma obscura, ela rapidamente muda seu tom e revisita parte de uma faixa composta para Relíquias da Morte Parte 1 que é descrita pelo próprio Desplat como The Band Of Brothers Theme e é usada, tanto nesse filme como no anterior (na faixa Polyjuice Potion), em uma cena de reencontro de amigos. Logo depois a música muda um pouco de tom e me remete um pouco à rebeldia de A Ordem da Fênix ao abusar de notas urgentes e metradas de violino, provavelmente importante para mostrar as cenas de Harry saindo da Sala Precisa, ainda escondido, e iniciando sua jornada pelo castelo em busca das Horcruxes.

A New Headmaster
Como muitos já sabem, o momento que Harry revela que está entre os alunos de Hogwarts acontece, no filme, no salão principal e é também o momento em que Harry enfrenta Snape e o culpa pela morte de Dumbledore. Logo depois o novo diretor de Hogwarts aparata para fora do castelo. Provavelmente essa é a música dessa cena. Apesar de não ser muito inspiradora e ter tons um pouco mais leves e baixos, é uma faixa bonita que utiliza mais uma vez notas de Hedwige's Theme em sua composição. Seu tom é sombrio e um tanto quanto triste, terminando em uma crescente de tensão que termina de forma brusca, provavelmente para indicar o momento em que Snape aparata.

Panic Inside Hogwarts
Aqui a guerra parece finalmente começar. Provavelmente situada em algum momento após Voldemort usar sua voz para se comunicar com quem está no castelo, seu tom é realmente de pânico e de expectativa sobre algo grandioso que está para começar. Imagino que o início dessa música seja o momento em que Flitwick conjura aquele grande escudo que vimos nos trailers do filme até agora. O restante deve mostrar estudantes correndo em desespero e os mais velhos, junto com os professores, tentando controlar e organizar tudo.

Statues
Finalmente a trilha realmente vai adquirindo tons que me fazem lembrar de uma guerra. O ritmo do início dessa música me lembra muito o compasso usado em trilhas sonoras de filmes épicos, normalmente com cavalos em câmera lenta correndo em enormes planícies rumo à uma batalha eminente. Essa faixa também utiliza o violino e a percussão em excesso e sua metragem é perfeita com o tom protetor e de esperança que provavelmente deve ter a cena, já que é o momento que McGonagall dá vida às estátuas de Hogwarts para que elas possam proteger a escola do ataque eminente dos comensais da morte.

The Grey Lady
Provavelmente essa faixa será usada durante a jornada de Harry até o salão comunal da Corvinal, ao lado de Luna. Variando de tons leves e sombrios para momentos de tensão e ação, Desplat também utiliza de forma discreta um coro de vozes, que deve combinar com a presença da Dama Cinzenta na cena. Sem falar na flauta, usada de forma parecida com o som cortante e frio do vento. Mais uma vez a trilha assume momentos de sons metrados, abusando, como já de costume, do violino e da percussão.

In The Chamber of Secrets
Confesso que esperava nessa faixa algum tema para o beijo de Rony e Hermione, mas como beijos nunca foram o forte da saga Harry Potter (com exceção do beijo Harry/Hermione na Parte 1), minhas expectativas quanto ao beijo do casal da vez ainda estão baixas, e só diminuíram com a ausência de algo na trilha sonora que indicasse esse momento. Mas isso não faz falta nessa faixa, que já começa com um delicado pedaço de Hedwige's Theme interrompido por um macabro tambor que insiste em manter o ritmo acelerado da faixa, aumentando a tensão e os tons da música, culminando no ápice, quando instrumentos de sopro atingem notas altíssimas para representar, provavelmente, o momento em que Hermione tenta destruir uma Horcrux e a mesma se manifesta, assim como o Medalhão de Sonserina o fez quando Rony tentou destruí-lo.

Battlefield
Campo de batalha. É nesse momento que nós provavelmente saberemos o que está acontecendo na escola durante a guerra. Algumas notas de músicas já usadas por Desplat são usadas no início, porém o tom da música mantém seu ritmo urgente, com violinos e coros de voz representando o desespero de uma guerra. Mantém o mesmo tom e o mesmo nível de faixas como Panic Inside Hogwarts e Statues, o que deve acontecer em outras faixas criadas para mostrar cenas da Batalha de Hogwarts no geral. Ótima música para ser usada em tomadas aéreas da batalha e dos terrenos e corredores da escola.

The Diadem
Estamos novamente na sala precisa, porém dessa vez em seu formato de "depósito". A Horcrux da vez é a Diadema de Corvinal. A faixa começa com notas delicadas e um tanto quanto misteriosas. Desplat continua usando de forma muito discreta e belíssima a flauta para dar os tons necessários às cenas. O final da música toma um rumo diferente e usa notas graves e baixas de percussão que vai aumentando seu tom de urgência, provavelmente no momento em que Draco aparece para enfrentar o trio.

Broomsticks And Fire
Altas notas para os intrumentos de sopro, coro de vozes graves para dar o tom épico e o violino, é claro, mantendo a métrica e o ritmo urgente da cena. Impossível não prever que essa cena será incrível. Aqui percebo pequenos momentos em que Desplat utiliza instrumentos como o pandeiro em sua composição, provando que ele realmente sempre dá um jeito de usar instrumentos brasileiros em suas obras. Essa é a cena em que o fogomaldito começa a destruir toda a sala precisa e tanto o trio quanto Draco e seus capangas lutam para sair de lá com vida.

Courtyard Apocalypse
Os tons usados em Battlefield, e Panic Inside Hogwarts, por exemplo, se repetem aqui novamente, o que deixa claro que Desplat criou mesmo um tema para representar toda a batalha de Hogwarts como um todo. Essa canção começa dessa forma e vai aumentando suas notas. Tenho a impressão que esse é o momento que vemos as mortes e os estragos da batalha enquanto o trio volta ao campo de batalha em busca da próxima Horcrux.

Snape's Demise
Confesso que a morte de Snape é uma das cenas que mais espero ver nesse filme. E essa faixa, além de possuir tons sombrios, usa notas de Hedwige's Theme de forma quase homeopática enquanto a tensão aumenta para o que parece ser a morte do eterno professor de poções. A música então assume tons tristes e melancólicos, voltando à primeira faixa da trilha sonora e repetindo aqui o vocal feminino e os tons de Lily's Theme. É de arrepiar. A partir daqui a história de Snape começará a moldar e determinar os eventos que virão a acontecer no que resta do filme, por isso o personagem está tão presente, direta ou indiretamente, nos nomes das faixas da trilha sonora.

Severus And Lily
Essa é a faixa mais longa do álbum e é de longe uma das minhas favoritas. É aqui que vemos Harry ir à penseira e entrar nas memórias de Snape, onde descobre a verdade sobre o ex-diretor. Essa música me passa um sentimento de melancolia, injustiça, admiração e tristeza e só me faz pensar no quão trágica é a história de Snape. Seus tons são delicados e muitas vezes deprimentes, o que é essencial para que o público se identifique e entenda a verdade sobre o personagem. Basicamente apoiada nos violinos e seus tons mais graves e dramáticos, Severus and Lily tem tudo para ser a trilha sonora de uma das cenas que mais vai fazer os fãs derramarem lágrimas no cinema.

Harry's Sacrifice
Essa faixa me passa uma sensação de real sacrifício. Mas não aquele sacrifício forçado, mas sim algo digno de um herói, com bravura e coragem. Mesclada com tons de The Obliviation, primeira faixa da trilha sonora da primeira parte de Relíquias (e minha favorita), e terminando com notas lentas de Hedwige's Theme a tocar, posso sentir a tristeza, porém a certeza, de Harry ao decidir se entregar e fazer o que é certo por causa daqueles que ele ama. É lindíssima essa faixa...

The Ressurrection Stone
A mais linda e delicada faixa da trilha sonora na minha opinião é também a música que dará o tom musical à cena que mais me fez chorar no último livro: o momento em que Harry usa a Pedra da Ressurreição e volta a encontrar todos aqueles que morreram para protegê-lo, inclusive seus pais. Usando o som de cordas, piano e os mesmos vocais e notas usados em Lily's Theme, presenciamos o desenvolvimento e aprofundamento da tristeza presente na faixa de abertura da trilha sonora, quando os vocais atingem notas mais altas que me lembram muito os vocais utilizados por exemplo na trilha sonora de Titanic e que até hoje me arrepiam. É a primeira vez que me emociono com uma trilha sonora antes mesmo de ver o filme. The Ressurrection Stone é, por si só, suficiente pra fazer um fã derramar lágrimas.

Harry Surrenders
Não preciso nem dizer em qual cena essa música é usada. Tensão e expectativa exalam dos sons métricos dos violinos dessa faixa. Porém Desplat também usa um pouco de tons heróicos e que me remetem mais uma vez à bravura e ao sarifício de Harry. Não é exatamente épica para o que essa cena representa, mas é suficiente para criar o clima necessário para a mesma.

Procession
Tristeza e incredulidade é o que essa faixa me passa. Afinal, estamos falando do momento em que toda Hogwarts assiste um Harry Potter morto ser carregado de volta à Hogwarts depois de se entregar por todos os que estão ali. É perfeita para a cena e para o momento, pois o tambor levemente ritmado e o violino mais uma vez metricamente tocado dão à faixa um tom de luto que poucas vezes senti na série de filmes.

Neville The Hero
Aqui a bravura de Neville tem sua vez de ser representada e a faixa utiliza de forma belíssima os violinos para, com notas leves, ir crescendo seus tons e assim chegar ao momento em que a percussão e os instrumentos de sopro tomam conta da faixa e trazem à tona o sentimento de heroísmo antes escondido em Neville.

Showdown
Chegamos ao grande clímax, quando Harry revela estar vivo e finalmente temos o grande duelo final entre o bem e o mal. E a música é de tirar o fôlego. A trilha sonora atinge o tom máximo de urgência que o filme pode alcançar, com ritmo acelerado, violinos, percussão e instrumentos de sopro sendo ainda mais usados de forma genial. Percebemos também detalhes, como a flauta e objetos metálicos, para dar os retoques finais da faixa. A música funciona como uma grande montanha-russa de níveis sonoros e termina com notas altas, criando um pequeno intervalo para o que promete ser a grande queda do Lorde das Trevas.

Voldemort's End
Tudo o que você ouviu durante a trilha sonora de todo o filme se misturou nessas duas últimas faixas e criou um clímax musical épico, que passa não só o tom de urgência presente em todo o álbum, mas também o lado dramático que essa urgência traz: A necessidade de se por um fim em tudo isso. A derrota de Voldemort termina então com as notas altas diminuindo e, mais uma vez, Lily's Theme tocando de forma delicada, quase que para purificar e acalmar os nossos ouvidos depois de tanto caos. A batalha final entre Harry e Voldemort promete ser algo inexplicável, porque só a sua trilha sonora já é suficiente para me dar arrepios de empolgação.

A New Beginning
Nostalgia, negação, tristeza, felicidade, calma, sensação de dever cumprido, paz... Acho que é isso que essa canção, pequena, delicada e nada escandalosa quer transmitir. Me sinto triste só de pensar que é a última faixa de trilha sonora de Harry Potter que vou ouvir. Todos os instrumentos são usados de forma leve, apenas para dar o tom de despedida e recomeço que a cena final vai exigir. É emocionante e tocante e promete ser ainda melhor no filme.


Como humilde admirador de trilhas sonoras e fã da série Harry Potter, me arrisco a dizer que essa trilha sonora é uma das melhores da saga, perdendo apenas para as de John Williams (a do Prisioneiro de Azkaban ainda é minha favorita). Desplat superou seu trabalho já incrível na Parte 1 de Relíquias da Morte e conseguiu fechar musicalmente a série de forma primorosa. Agora só nos resta esperar para ouví-la nos cinemas. O fim de Harry Potter nos cinemas está próximo, porém não devemos esquecer que a série sempre estará viva dentro de cada um de nós, portanto vamos reler os livros, reencontrar os amigos, ouvir mais de mil vezes as trilhas sonoras e, é claro, fazer de tudo para que tenhamos a melhor última estréia de Harry Potter das nossas vidas! Para terminar, deixo aqui um vídeo que mostra Alexandre Desplat conduzindo a gravação da última faixa da trilha sonora do filme. É simplesmente magnífico.


Espero que tenham gostado desse primeiro Dissecando. Espero também que não tenha ficado muito cansativo. Tentei usar o pouco conhecimento que tenho sobre música, instrumentos e trilhas sonoras, mas como não sou nenhum entendedor do assunto, deixo aberto os comentários para quem tiver algo a acrescentar/corrigir e também para quem quiser simplesmente comentar e dar sua própria opinião sobre a trilha sonora. E que todos tenham um incrível dia 15! Nos vemos do outro lado...